Ganhe o Mundo: missão cumprida

Foto: Divulgação

Como fundador do Instituto Igeduc, escrevo com o interesse de quem esteve dentro do processo, e por isso deixo os números falarem. Desde maio, o Igeduc assumiu a condução de todo o processo seletivo do Ganhe o Mundo, programa de grande porte da Secretaria de Educação de Pernambuco. Até onde tenho conhecimento, foi uma das primeiras vezes em que uma banca organizadora pernambucana executou, do início ao fim, um certame dessa envergadura para o governo do estado. Com o resultado final publicado, posso dizer que cumprimos o combinado.

Foram mais de 28 mil estudantes inscritos para 2 mil vagas, cerca de 14 candidatos por vaga. O programa, que na edição anterior ofereceu 900 vagas, mais que dobrou de tamanho. Dos inscritos, mais de 13 mil foram convocados para as provas objetiva e subjetiva, e compareceram mais de 7,4 mil estudantes, 54,29% dos convocados. As provas foram aplicadas em 43 polos, distribuídos por 29 municípios, num único domingo, com 1.335 colaboradores entre fiscais, aplicadores e coordenadores mobilizados.

Um certame público se sustenta no edital, que é a lei do concurso, e nos princípios do art. 37 da Constituição: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Nesse espírito, todas as etapas seguiram regras previamente publicadas, com isonomia entre os candidatos. As provas foram mantidas sob sigilo e lacre, e o gabarito e os cadernos de questões foram divulgados após o término do turno de aplicações, com o prazo de recurso integralmente assegurado. Recebemos 50 recursos, todos indeferidos, e nenhuma questão foi anulada. Os pesos das provas, os critérios de desempate e a distribuição das vagas por região e por destino constavam do edital desde o início. Não houve intercorrências que comprometessem a lisura do processo.

Havia ainda duas responsabilidades menos visíveis. Os dados de mais de 28 mil estudantes, muitos deles adolescentes, exigiram tratamento cuidadoso, à luz da Lei Geral de Proteção de Dados. E o atendimento especial a candidatos com deficiência precisou ser garantido em cada polo.

Entregamos o resultado final em 24 de agosto, uma semana antes do prazo oficial de 31 de agosto. Para quem se prepara para viver um semestre no exterior, uma semana é tempo para tirar passaporte, providenciar visto e organizar a família.

São 2 mil estudantes da rede estadual selecionados: 1.400 para Estados Unidos, Canadá ou Reino Unido e 600 para Argentina ou Espanha.

Mas um certame, no fim das contas, é sobre pessoas. Falo de adolescentes de 14 a 17 anos, alunos da rede pública estadual, que se prepararam para uma prova disputada, enfrentaram a tensão de um domingo decisivo e agora vão passar um semestre numa escola estrangeira, longe de casa, aprendendo outro idioma e convivendo com outra cultura. Penso também nos que não conseguiram a vaga. Com cerca de 14 candidatos por vaga, a maioria ficou de fora, e isso não apaga o mérito de quem estudou, se inscreveu e foi fazer a prova. Quem chegou até aqui já provou que sabe sonhar alto e trabalhar por isso. O que espero dos que embarcam é que voltem diferentes e tragam de volta, para suas salas de aula, seus bairros e suas cidades, o que aprenderam. É assim que um intercâmbio deixa de ser viagem e se torna política de educação.

O mérito da execução pertence à equipe técnica do Igeduc, liderada pelo presidente do instituto, Tito Sales, que transformou um cronograma apertado e uma logística complexa em um trabalho sólido, do primeiro edital à última convocação. Registro também o agradecimento à governadora Raquel Lyra e ao secretário de Educação, Gilson Monteiro, pela confiança depositada no Igeduc. Pernambuco mostrou que tem capacidade técnica própria para organizar seleções desse porte. A missão foi cumprida.

Inácio Feitosa

Fundador do Instituto IGEDUC, ex-conselheiro do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco, ex-secretário de Educação Profissional e Juventude do Recife, ex-diretor do SENAI Pernambuco, mestre em Educação pela UFPE, e escritor.

Compartilhe esse post

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
WhatsApp
Páginas
Quem sou eu
Picture of Edmar Lyra

Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

Conhecer
Redes sociais