Estudo aponta que ‘tarifa zero’ proposta por Lula perdeu ritmo em 2026

Foto: Ricardo Stuckert

Proposta de Lula é alvo de críticas por problemas de financiamento em vários municípios brasileiros; 8 cidades interromperam benefício.

Apresentado pelo presidente Lula como uma espécie de ‘bala de prata’ nesse segundo turno, a tarifa zero se tornou um problema para alguns municípios brasileiros. Estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) aponta que a expansão do passe livre perdeu fôlego e o ritmo de novas adesões ficou significativamente mais lento nos últimos 12 meses.

Até o fim de março de 2026, 143 municípios brasileiros haviam adotado tarifa zero sem restrições, segundo a pesquisa da NTU. Outros 43 tinham programas de gratuidade destinados a categorias específicas de passageiros ou situações determinadas.

Apresentado pelo presidente Lula como uma espécie de ‘bala de prata’ nesse segundo turno, a tarifa zero se tornou um problema para alguns municípios brasileiros. Estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) aponta que a expansão do passe livre perdeu fôlego e o ritmo de novas adesões ficou significativamente mais lento nos últimos 12 meses.

Até o fim de março de 2026, 143 municípios brasileiros haviam adotado tarifa zero sem restrições, segundo a pesquisa da NTU. Outros 43 tinham programas de gratuidade destinados a categorias específicas de passageiros ou situações determinadas.

 

O ritmo de expansão, contudo, mudou desde 2021. Entre 2021 e 2023, 70 municípios passaram a adotar a tarifa zero. Em 2024, foram oito novas iniciativas. No ano seguinte, houve uma nova aceleração, com 21 municípios implantando o modelo. Entre maio de 2025 e março de 2026, a pesquisa registrou apenas 16 novas adesões.

Segundo a NTU, a desaceleração é mais evidente nas cidades com mais de 100 mil habitantes. Das 312 cidades desse porte atendidas por sistemas de transporte coletivo por ônibus, apenas 14 adotam tarifa zero. Em relação à edição anterior da pesquisa, somente duas cidades desse grupo aderiram ao modelo: Canoas (RS) e Itaboraí (RJ). A entidade aponta problemas ligados ao financiamento do programa como o principal problema.

“A tarifa zero altera significativamente o comportamento dos usuários. Observam-se aumentos expressivos de demanda nos primeiros meses de implantação, seguidos por períodos de estabilização. Contudo, ainda não há uniformidade na coleta, sistematização e divulgação dessas informações”, alerta a Associação Nacional das Empresas.

O levantamento mostra ainda que a expansão da tarifa zero ocorre majoritariamente em cidades pequenas. Dos 143 municípios identificados, 104, ou 73%, têm menos de 50 mil habitantes. Outros 25 estão na faixa entre 50 mil e 100 mil habitantes, enquanto apenas 14 têm população superior a 100 mil.

O estudo também identifica que oito municípios que haviam implantado a tarifa zero posteriormente interromperam os programas. São eles Jaboticabal, Monte Mor, Paulínia e Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo; Picos, no Piauí; Porto Real, no Rio de Janeiro; Tijucas do Sul, no Paraná; e Ubiratã, também no Paraná. Em todos os casos, porque as cidades não conseguiram bancar os subsídios às empresas de transporte coletivo.

“A universalização imediata da tarifa zero em cidades médias e grandes enfrenta barreiras econômicas e operacionais relevantes. A complexidade urbana, a extensão territorial, a diversidade de polos geradores de viagem e o volume da demanda exigem cautela”, alerta a entidade.

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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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