Disputa pelo comando da Alepe começa a movimentar bastidores

Com o encerramento das eleições, as atenções da política pernambucana começam a se voltar para a composição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A presidência e a primeira-secretaria, os dois postos mais importantes da Casa, já despertam movimentações entre deputados e também no Palácio do Campo das Princesas.

Um dos nomes que entrou novamente no páreo pela presidência é o deputado Antônio Moraes. Parlamentar experiente e com trânsito entre diferentes grupos políticos, Moraes já gostaria de ter assumido o comando da Assembleia em 2023, no início do primeiro mandato da governadora Raquel Lyra. O projeto não prosperou naquele momento, mas agora ele volta a ser lembrado e espera ter melhor sorte na nova legislatura.

Outro nome citado entre os parlamentares é Gustavo Gouveia. Ex-primeiro-secretário da Alepe, Gouveia conhece a estrutura administrativa da Casa e mantém boa interlocução com diferentes setores do Legislativo. Sua experiência na Mesa Diretora é apontada pelos pares como um dos elementos que o colocam nas conversas sobre a sucessão no comando da Assembleia.

A disputa não se limita à presidência. A primeira-secretaria, considerada um dos postos mais importantes da estrutura administrativa e política da Alepe, também começa a despertar interesses. France Hacker alimenta o projeto de chegar ao cargo, atualmente ocupado por Francismar Pontes, do PSB. O socialista, por sua vez, também trabalha com a possibilidade de permanecer na função.

A movimentação interessa diretamente à governadora Raquel Lyra. Depois da experiência vivenciada em 2023, quando a eleição da Mesa Diretora ganhou dinâmica própria e produziu dificuldades na relação entre Executivo e Legislativo, o Palácio pretende acompanhar mais de perto a formação do próximo comando da Casa.

Raquel já começa a se movimentar nesse sentido e deu sinais à sua base de que deseja maior alinhamento na definição dos principais postos da Assembleia. O desafio será construir um entendimento capaz de evitar uma pulverização de candidaturas entre deputados que integram o campo governista.

É justamente aí que entra o PSB. Mesmo derrotado na disputa pelo Governo do Estado, o partido conseguiu eleger uma bancada de nove deputados estaduais e continuará exercendo peso relevante dentro da Assembleia. Em uma Casa formada por 49 parlamentares, um bloco desse tamanho pode ganhar importância ainda maior caso a base governista chegue dividida à eleição da Mesa.

Se houver consenso entre os aliados de Raquel, a tendência é que o Palácio tenha maior capacidade de conduzir politicamente a formação do comando da Alepe. Caso surjam candidaturas concorrentes dentro da própria base, entretanto, os votos socialistas poderão assumir papel importante nas negociações.

A eleição da Mesa Diretora, portanto, será um dos primeiros testes de articulação política do novo mandato. O Palácio sabe que uma base numericamente ampla não significa necessariamente uma Assembleia alinhada. Antes da votação, Raquel terá o desafio de organizar os aliados e evitar que divergências internas abram espaço para que a oposição se transforme em fiel da balança na escolha de quem comandará a Alepe a partir de 2027.

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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