Coluna deste sábado

Foto: Miva Filho/Secom

Avenida de oportunidades 

A governadora Raquel Lyra elegeu-se em 2022 sob pouco comprometimento com a classe política, uma vez que as circunstâncias da eleição acabaram não exigindo o tradicional toma lá dá cá para consolidar um palanque. Na formação do secretariado, apenas Daniel Coelho e Evandro Avelar já tinham disputado eleições, as demais funções foram compostas por ilustres desconhecidos. Em oito meses, a governadora chegou a substituir seis secretários e não houve nenhum impacto negativo para o funcionamento do governo.

Recentemente, Raquel Lyra contemplou o PSD com a ida de Cacau de Paula para a secretaria de Cultura, cuja legenda tem tudo para ser o destino da governadora para tentar a reeleição em 2026. Partidos como União Brasil, PL, PP e MDB foram contemplados em funções de segundo escalão, mas nada impede que elas sejam melhor aquinhoadas nos próximos meses. Outra legenda que permanece no radar da governadora é o Avante do deputado federal Waldemar Oliveira, que tem uma atuação no interior do estado e precisa da retaguarda do Palácio do Campo das Princesas para atender suas bases.

Isso mostra que a governadora tem total liberdade para fazer acordos e composições sem qualquer ônus para a engenharia política do seu governo. Seu antecessor, Paulo Câmara, teve duas experiências. A primeira foi quando distribuiu imediatamente as principais pastas com os partidos políticos no primeiro mandato, a segunda foi quando optou por montar um secretariado técnico no segundo mandato, passando a ter um maior controle da sua gestão e consequentemente podendo imprimir um ritmo melhor de trabalho.

Além desta situação, Raquel alavancou financeiramente o estado, evidenciando que no médio prazo Pernambuco tem tudo para ser um canteiro de obras espalhado por todas as regiões, e isso tende a fortalecer a ocupante do Palácio do Campo das Princesas.

Então a governadora, e a classe política, sabem perfeitamente que novas composições precisam ser feitas e deverão acontecer nos próximos meses, que poderá ter na figura de Raquel Lyra um importante ancoradouro de prefeitos, deputados estaduais e deputados federais, exercendo a habitual força centrípeta que o poder desempenha no establishment político de Pernambuco.

Lado – O ex-deputado federal Silvio Costa descartou qualquer possibilidade de composição do seu grupo com a governadora Raquel Lyra, ainda que houvesse a oferta de espaços no governo num alinhamento com o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. O ex-vice-líder de Dilma Rousseff afirmou que seu grupo tem lado e está fechado com João Campos para 2024 e 2026, onde apresentará Silvio Costa Filho candidato a senador na chapa do socialista.

No canto – O prefeito João Campos permanece com a alavanca no canto para consolidar ainda mais a sua gestão. Quase todo dia o socialista anuncia alguma obra espalhada por toda a cidade, em especial em áreas de periferia, onde está a maioria do eleitorado da capital pernambucana. João ostenta elevados índices de aprovação e pretende conquistar uma reeleição consagradora em 2024.

Tomando gosto – Conhecido apenas pelas funções técnicas que ocupou com maestria, o senador Fernando Dueire, efetivado esta semana no cargo, tem atuado incansavelmente no sentido de colocar seu mandato a serviço de Pernambuco. O emedebista não só pretende fazer um excelente mandato na Câmara Alta como também se prepara para tentar a reeleição em 2026.

Inocente quer saber – Se o MDB tiver candidatura no Recife, o nome será Jarbas Filho ou Fernando Dueire?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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