Coluna desta terça-feira

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Vantagem de Flávio Bolsonaro pode alcançar 7,4 milhões de votos

A pesquisa DataTrends divulgada no último domingo (11) apresenta uma diferença de 6,2 pontos percentuais entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial. Considerando os votos válidos, o senador aparece com 53,1%, enquanto o presidente registra 46,9%. Convertida em números absolutos, numa simulação com 120 milhões de votos válidos, essa distância representa aproximadamente 7,44 milhões de votos.

A dimensão desses números ganha significado quando comparada à eleição presidencial de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro por apenas 2.139.645 votos. Naquela ocasião, o petista conquistou 60.345.999 votos, equivalentes a 50,90% dos válidos, enquanto Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos, correspondentes a 49,10%. A diferença percentual foi de somente 1,8 ponto, demonstrando o equilíbrio daquele resultado eleitoral.

A distância de 7,44 milhões de votos calculada a partir do DataTrends seria, portanto, aproximadamente três vezes e meia a vantagem que garantiu a vitória de Lula há quatro anos. Trata-se, entretanto, de uma comparação entre um resultado efetivamente registrado nas urnas e uma projeção matemática baseada nas intenções de voto captadas por uma pesquisa.

O levantamento DataTrends ouviu 2 mil eleitores em todo o território nacional entre os dias 7 e 9 de outubro. A pesquisa possui margem de erro de 2,19 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03576/2026.

Outro aspecto da disputa é a distribuição regional das intenções de voto. O Nordeste permanece como uma região de expressiva concentração de apoio ao presidente Lula, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta percentuais superiores aos do petista em outras partes do país. Esse comportamento regional também esteve presente na eleição de 2022, quando o desempenho nordestino de Lula contribuiu decisivamente para sua votação nacional.

Os números divulgados por outros institutos ajudam a contextualizar o levantamento. O Datafolha registrou 52% para Flávio e 48% para Lula nos votos válidos. Já o AtlasIntel/Bloomberg apontou 52,8% contra 47,2%. As pesquisas apresentam diferenças metodológicas e amostrais, mas permitem observar os percentuais medidos durante a primeira semana da campanha de segundo turno.

Há ainda uma variável importante: o comparecimento eleitoral. Em 2022, foram contabilizados aproximadamente 118,55 milhões de votos válidos. Uma eventual mudança na participação dos eleitores em 2026 modificaria diretamente a conversão dos percentuais das pesquisas em números absolutos.

A eleição está marcada para 25 de outubro, e os levantamentos realizados até lá poderão registrar alterações nas intenções de voto. A comparação com 2022 oferece uma dimensão histórica dos números atuais, sem transformar a pesquisa em resultado antecipado.

Por enquanto, os dados mostram duas realidades distintas: uma vitória de Lula por pouco mais de dois milhões de votos em 2022 e uma diferença estimada de 7,44 milhões de votos no cenário matemático construído a partir da pesquisa DataTrends de outubro de 2026.

Cinco contra um – A liderança de Flávio Bolsonaro no segundo turno deixou de ser um resultado isolado. Levantamento publicado pelo Poder360 mostra que o candidato do PL aparece numericamente à frente de Lula em cinco das seis pesquisas nacionais mais recentes. A convergência dos institutos amplia a pressão sobre o Planalto, que precisa encontrar uma estratégia para reverter a vantagem do adversário nos 13 dias restantes de campanha.

Neutralidade estratégica – Reeleita no primeiro turno com 53,3% dos votos válidos, Raquel Lyra decidiu não declarar apoio a Lula nem a Flávio Bolsonaro. A governadora revelou que foi procurada pelas duas campanhas e sinalizou disposição para manter relações institucionais com qualquer vencedor. A posição preserva sua autonomia política e evita que a disputa nacional interfira na construção de seu segundo mandato em Pernambuco.

A batalha pelas periferias – A campanha de Flávio Bolsonaro identificou nas periferias de São Paulo uma oportunidade para ampliar sua vantagem nacional. O senador reuniu 37 dos 55 vereadores da capital paulista e pediu mobilização eleitoral. Embora Lula tenha vencido na cidade no primeiro turno, Flávio ganhou no conjunto do estado. A estratégia consiste em reduzir a vantagem petista nos bairros populares e consolidar São Paulo como um dos principais contrapesos à votação de Lula no Nordeste.

Semana decisiva para os institutos – A corrida presidencial terá uma sequência de novas pesquisas nacionais nesta semana, incluindo levantamentos de BTG/Nexus, PoderData, Quaest e Datafolha. Os resultados permitirão avaliar se a vantagem de Flávio Bolsonaro, apontada pelo DataTrends em 53,1% dos votos válidos contra 46,9% de Lula, está consolidada ou se o presidente começa a demonstrar capacidade de recuperação. A comparação entre institutos será um dos principais termômetros políticos da reta final.

Inocente quer saber – A virada de Lula é possível ou será apenas um devaneio?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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