
O desafio de Álvaro Porto em 2026
Entre os principais personagens da política pernambucana na atualidade, poucos acumulam tanto protagonismo quanto o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto. Ao longo dos últimos anos, ele construiu uma trajetória que destoa daquela adotada por seus três antecessores no comando da Casa. Romário Dias, Guilherme Uchôa e Eriberto Medeiros, cada um a seu tempo, mantiveram relações institucionais harmoniosas com os governadores de plantão, transformando essa convivência em ganhos políticos e administrativos para seus grupos. Álvaro Porto optou por um caminho distinto. Desde o início da gestão da governadora Raquel Lyra, consolidou-se como a principal voz de oposição dentro da Alepe, liderando movimentos políticos que frequentemente desafiaram os interesses do Palácio do Campo das Princesas e transformaram o Legislativo em um dos principais espaços de resistência ao governo estadual.
Essa postura lhe conferiu visibilidade e ampliou sua influência para além dos limites do seu mandato parlamentar. Se antes sua liderança estava concentrada no Agreste e em setores tradicionais da política pernambucana, hoje Álvaro exerce papel central nas articulações que envolvem a sucessão estadual de 2026. Não por acaso, seus movimentos têm sido observados atentamente por aliados e adversários. A permanência na presidência da Alepe, a capacidade de reunir parlamentares em torno de suas posições e o alinhamento político construído com João Campos, ex-prefeito do Recife, transformaram o deputado em um dos atores mais relevantes do atual cenário político. Sua influência tornou-se tão significativa que qualquer projeto competitivo para o próximo pleito passa, inevitavelmente, por uma avaliação do peso político que ele acumulou nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, Álvaro Porto trabalha objetivos bastante claros para o próximo ciclo eleitoral. O primeiro deles é fortalecer o MDB em Pernambuco, ampliando sua representação na Assembleia Legislativa e garantindo uma bancada de pelo menos três deputados estaduais. O segundo é impulsionar a pré-candidatura de Gabriel Porto à Câmara dos Deputados, ampliando a presença do grupo político familiar nos espaços de poder. Trata-se de uma estratégia de expansão que vai além da simples manutenção de mandatos. Ao buscar fortalecer o partido e viabilizar a eleição de um representante para Brasília, Álvaro procura consolidar uma estrutura política capaz de sobreviver às mudanças de governo e às oscilações naturais do cenário eleitoral.
Caso consiga renovar seu mandato e eleger Gabriel Porto deputado federal, o presidente da Alepe chegará ao pós-eleição em posição privilegiada. Independentemente do resultado da disputa pelo Governo de Pernambuco, seu grupo político sairá fortalecido. Se João Campos vencer a eleição estadual, Álvaro terá participado ativamente da construção dessa aliança e se tornará um dos credores políticos mais importantes da futura gestão. Por outro lado, se tivesse optado por uma aproximação com Raquel Lyra, o cenário eleitoral poderia ser substancialmente diferente, dada a influência que exerce sobre o Legislativo e sobre importantes lideranças regionais. Ao escolher um lado e assumir os riscos inerentes a essa decisão, Álvaro Porto demonstrou que não pretendia apenas participar do processo político de 2026, mas exercer papel decisivo na definição dos seus rumos.
Conselho – A Federação União Progressista (UP), comandada em Pernambuco pelo deputado federal Eduardo da Fonte, deu mais um passo na construção de propostas para a área de segurança pública ao oficializar a criação do Conselho de Segurança Pública. O colegiado reunirá coronéis da ativa e da reserva da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para discutir demandas da categoria e formular sugestões que serão encaminhadas ao Governo do Estado. A iniciativa reforça a aproximação da federação com profissionais que atuam diretamente no setor e amplia o debate sobre medidas voltadas ao fortalecimento da segurança em Pernambuco.
Palanque duplo – A fala do ministro Wellington Dias sobre a possibilidade de palanque duplo de Lula em Pernambuco apenas externou o desejo de muitos aliados do presidente no estado. Apesar disso, há quem aposte que Lula virá fazer campanha para João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes.
Acompanhando – O deputado federal Eduardo da Fonte, que é pré-candidato ao Senado, participou de uma solenidade de entrega de ônibus da governadora Raquel Lyra no Palácio do Campo das Princesas. Eduardo disputa com Miguel Coelho a indicação da União Progressista para a Câmara Alta.
Inocente quer saber – Quem é o nome preferido da governadora Raquel Lyra para compor o Senado?



