Coluna desta sexta-feira

Foto: Divulgação

Datafolha acirra disputa entre Lula e Flávio na reta final

A 16 dias do primeiro turno, o Datafolha entrega uma mensagem política mais relevante do que a simples diferença de três pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro: a eleição presidencial chega à reta final em um cenário de alta competitividade. Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio alcança 36%, colocando os dois em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O presidente continua numericamente à frente, mas a evolução das últimas rodadas chama atenção. Em 21 de agosto, Lula tinha 39% contra 33% de Flávio, uma vantagem de seis pontos. Agora, Lula permanece nos mesmos 39%, enquanto Flávio chega aos 36%, reduzindo pela metade a distância em menos de um mês. Isso não significa que o movimento necessariamente continuará até as urnas, mas estabelece uma questão central para os últimos 16 dias: Lula precisa interromper a aproximação do adversário, enquanto Flávio tentará demonstrar que ainda possui espaço para avançar. Para um presidente que disputa a reeleição, a estabilidade em 39% ao mesmo tempo em que o principal adversário cresce é um dado politicamente relevante e que certamente passa a ocupar o centro das preocupações da campanha governista.

O segundo turno reforça ainda mais a dimensão da disputa. Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%, novamente em empate técnico, indicando que os dois grandes campos eleitorais estão fortemente consolidados. Ao mesmo tempo, existe uma barreira importante para ambos: a rejeição de Lula e Flávio é exatamente a mesma, 47%. Quase metade do eleitorado afirma não votar em cada um deles, o que ajuda a compreender por que a eleição permanece tão apertada mesmo com os dois concentrando grande parte das intenções de voto. A partir de agora, portanto, o desafio não será apenas mobilizar os convertidos. Lula e Flávio precisarão disputar eleitores que não pertencem definitivamente a nenhum dos dois campos. E existe um contingente considerável nessa condição. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos registra 3% e Romeu Zema, 2%. Juntos, os quatro somam 15% das intenções de voto. Acrescentem-se ainda os 6% de brancos e nulos e os 3% de indecisos. Numa eleição em que apenas três pontos separam os dois primeiros colocados, qualquer migração relevante dentro desse universo pode alterar significativamente a fotografia atual.

É justamente nesse terreno que deverá acontecer a principal batalha até 4 de outubro. Lula precisa preservar sua vantagem entre beneficiários do Bolsa Família e outros segmentos nos quais mantém desempenho mais expressivo, ao mesmo tempo em que procura ampliar sua votação fora de suas bases mais consolidadas. Flávio enfrenta o desafio inverso: conservar sua força entre parcelas da classe média, evangélicos e segmentos de maior renda, mas avançar onde Lula mantém vantagem. Existe ainda a disputa pelo voto útil. Quanto mais próxima estiver a diferença entre os dois líderes, maior poderá ser a pressão sobre os eleitores das candidaturas intermediárias para anteciparem uma escolha entre Lula e Flávio já no primeiro turno. Se Cury, Caiado, Renan e Zema preservarem seus percentuais, poderão chegar ao dia 4 controlando uma fatia relevante do eleitorado e, consequentemente, ganhar importância numa eventual segunda etapa. Se houver esvaziamento dessas candidaturas, entretanto, será fundamental observar para qual dos dois principais candidatos esses votos migrarão. Em uma disputa tão estreita, dois ou três pontos transferidos de um bloco para outro podem produzir uma fotografia bastante diferente.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais, e mostra uma corrida que permanece aberta. Lula conserva a liderança numérica e dispõe de uma base eleitoral robusta, mas Flávio chega aos últimos 16 dias tendo reduzido a distância registrada pelo próprio instituto desde agosto. Esse é provavelmente o aspecto político mais relevante da rodada: em 21 de agosto eram seis pontos; agora são três. A reta final servirá para mostrar se essa aproximação encontra um limite ou se a distância continuará oscilando. Para Lula, a prioridade passa por preservar sua dianteira e tentar ampliá-la; para Flávio, por manter a trajetória recente de aproximação. Debates, propaganda eleitoral, mobilização territorial, redes sociais e eventual voto útil terão peso crescente. O Datafolha não antecipa o resultado de 4 de outubro, mas deixa uma fotografia bastante clara do ponto de partida para os últimos 16 dias: Lula está numericamente na frente, Flávio está mais próximo do que estava há algumas semanas e uma parcela relevante do eleitorado continua fora dos dois principais campos. É nesse espaço que estará uma das principais disputas da reta final.

Votos válidosConsiderando apenas os votos válidos, o Datafolha divulgado nesta quinta-feira (17) aponta Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 39% no primeiro turno da eleição presidencial. Augusto Cury aparece com 7%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3%, Romeu Zema com 2%, enquanto Samara Martins e Rui Costa Pimenta registram 1% cada. A 16 dias das urnas, Lula e Flávio concentram juntos 82% dos votos válidos, enquanto os demais candidatos somam 18%, parcela que poderá ter peso importante na reta final da disputa.

Flávio lidera em Santa Cruz – Pesquisa do Instituto DataTrends realizada em Santa Cruz do Capibaribe aponta Flávio Bolsonaro com 39% das intenções de voto para presidente da República, enquanto Lula registra 36%. A diferença entre os dois é de três pontos percentuais. O levantamento ouviu 400 eleitores nos dias 12 e 13 de setembro, possui margem máxima de erro de 4,89 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, estando registrado na Justiça Eleitoral sob os números PE-02622/2026 e BR-09607/2026.

Visita – Integrantes da campanha de João Campos afirmam que a vinda do presidente Lula ocorrerá no próximo dia 24, quando eles farão um ato ainda em local indefinido. A Frente Popular vem tentando a vinda de Lula para consolidar o crescimento de João Campos na reta final.

O efeito Lula em 2022 – Na eleição de Pernambuco de 2022, o Real Time Big Data apontava, antes da visita de Lula ao estado para apoiar Marília Arraes, Raquel Lyra com 61% dos votos válidos contra 39% de Marília, vantagem de 22 pontos. Após a agenda do presidente, realizada em 14 de outubro, a pesquisa seguinte mostrou 56% a 44%, reduzindo a diferença para 12 pontos. Nas urnas, porém, Raquel terminou com 58,87% contra 41,13% de Marília, abrindo 17,74 pontos. O comparativo mostra que a aproximação registrada pelo instituto logo após a visita de Lula não se confirmou integralmente no resultado final.

Inocente quer saber – O aumento do Bolsa-Família surtirá algum efeito eleitoral para Lula nesta reta final?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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