Coluna desta segunda-feira

Foto: Divulgação

A força de Eduardo da Fonte na corrida pelo Senado

A disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado tem em Eduardo da Fonte um de seus personagens centrais. O deputado federal aparece com 19% das intenções de voto na pesquisa DataTrends divulgada recentemente e aposta numa combinação de fatores para ampliar esse patamar até outubro. O primeiro deles é sua vinculação à candidatura da governadora Raquel Lyra, que busca a reeleição e, segundo o mesmo DataTrends, aparece nove pontos à frente na corrida estadual. Eduardo é apresentado como o primeiro voto de Raquel para o Senado, enquanto Túlio Gadelha integra a mesma chapa. A estratégia de Eduardo passa, portanto, por aproveitar a força da candidatura governista e, simultaneamente, buscar o segundo voto de eleitores que escolherão outros candidatos à Câmara Alta.

A história eleitoral de Pernambuco dá relevância a essa estratégia. Desde 1986, diferentes eleições mostraram associação entre a chapa vencedora para governador e pelo menos uma das vagas ao Senado. Há, porém, uma coincidência ainda mais expressiva nas três eleições em que governadores pernambucanos buscaram a reeleição e estavam em disputa duas cadeiras de senador. Em 2002, Jarbas Vasconcelos foi reeleito e sua composição política elegeu Marco Maciel e Sérgio Guerra. Em 2010, Eduardo Campos conquistou a reeleição e os dois senadores de sua aliança, Armando Monteiro e Humberto Costa, também venceram. O fenômeno voltou a ocorrer em 2018: Paulo Câmara foi reeleito e Humberto Costa e Jarbas Vasconcelos, integrantes da Frente Popular, ficaram com as duas vagas. O retrospecto não determina o resultado de 2026, mas constitui um dado histórico relevante para compreender a estratégia das chapas majoritárias.

No cálculo político da campanha de Eduardo, entretanto, existe outro componente: o segundo voto. A avaliação de seus aliados é de que seu perfil pode facilitar combinações com eleitores que tenham Mendonça Filho como primeira escolha, inclusive segmentos identificados com a direita, permitindo uma composição Mendonça–Eduardo mesmo estando os dois em chapas distintas. A mesma lógica aparece em outra direção com Humberto Costa. Eduardo e Humberto contam com extensas redes de prefeitos e lideranças municipais, circunstância que pode produzir dobradinhas nos municípios onde os dois possuem apoios convergentes. Dessa maneira, a estratégia de Eduardo não depende exclusivamente do voto fechado na chapa de Raquel: busca simultaneamente o eleitor de Mendonça como segundo voto e combinações municipais com Humberto, ampliando as fontes potenciais de votação.

É essa transversalidade que ajuda a explicar a aposta política em torno da candidatura de Eduardo da Fonte. Seus 19% constituem o ponto de partida registrado pelo DataTrends, enquanto sua campanha trabalha com três caminhos para expansão: o primeiro voto associado a Raquel Lyra, o segundo voto de parcelas do eleitorado de Mendonça Filho e as dobradinhas decorrentes das estruturas municipais compartilhadas com outros candidatos, especialmente Humberto Costa. A isso se acrescenta um dado histórico: nas três eleições anteriores em que um governador pernambucano disputou a reeleição e duas cadeiras do Senado estavam simultaneamente em jogo — 2002, 2010 e 2018 —, a composição política do governador reeleito conquistou as duas vagas. O precedente não permite antecipar o resultado de 2026, mas mostra por que a disputa pelo Senado está profundamente ligada à batalha pelo Governo de Pernambuco e por que a campanha de Eduardo procura transformar a força da chapa majoritária e as combinações de segundo voto em elementos centrais de sua estratégia eleitoral.

Mais votados – Os candidatos a deputado federal Miguel Coelho, Lula da Fonte, Pedro Campos, Marcelo Gouveia e Anderson Ferreira despontam como favoritos a atingir 200 mil votos e figurarem entre os mais votados. Todos possuem bases robustas e chegam fortalecidos na busca por uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Primeiro do PSOL – Jones Manoel poderá ser o primeiro deputado federal eleito pelo PSOL na história. Para isso, precisará confirmar o que especulam quanto a ter mais de 150 mil votos. O PSOL forma uma federação com a Rede Sustentabilidade.

Solto – Candidato ao Senado, Mendonça Filho está muito satisfeito com seu desempenho nas redes sociais, nas pesquisas e nas ruas. Nome do PL e do bolsonarismo, Mendonça sonha em chegar à Câmara Alta em uma das duas vagas no dia 4 de outubro.

Convocação – Gilson Machado e Gilson Filho mobilizam os apoiadores da Direita para uma manifestação na avenida Boa Viagem, hoje às 14h, em frente à Padaria Boa Viagem

Inocente quer saber – Caso confirme o favoritismo nas pesquisas, Raquel Lyra elegerá pelo menos um senador de sua chapa?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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