Coluna desta quinta-feira

Foto: Elvys Lopes/TV Globo

A corrida pela Prefeitura do Recife começa a ganhar contornos

Embora as eleições municipais de 2028 ainda estejam a dois anos de distância, os bastidores da política recifense já começam a desenhar um cenário de possíveis candidaturas à Prefeitura do Recife. A capital pernambucana, tradicionalmente marcada por disputas intensas e pela presença de lideranças de diferentes campos ideológicos, poderá assistir a uma eleição bastante fragmentada, reunindo nomes da direita, da esquerda e do centro. Nesse tabuleiro, o prefeito Victor Marques surge como favorito natural à reeleição, sobretudo por deter o comando da máquina administrativa municipal, contar com a visibilidade proporcionada pelo cargo e dispor de tempo para consolidar sua própria liderança política. A possibilidade de migração para o MDB também integra as articulações voltadas à construção de um projeto eleitoral competitivo.

Na direita, o deputado federal eleito Eduardo Moura, do Novo, desponta como um dos nomes que poderão entrar na disputa, apostando em um discurso de fiscalização e oposição à gestão municipal. No PL, a definição poderá passar pelo deputado federal eleito Thiago Medina ou pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e deputado federal eleito Anderson Ferreira. Enquanto Medina representa uma alternativa de renovação, Anderson reúne experiência administrativa, conhecimento eleitoral e capacidade de articulação partidária. Outro nome que poderá integrar esse campo é o deputado estadual eleito Gilson Machado Filho, do Podemos, que carrega um sobrenome conhecido do eleitorado conservador e poderá buscar espaço próprio na política recifense. A grande questão será saber se essas candidaturas caminharão separadamente ou se haverá capacidade de convergência em torno de um projeto mais amplo para enfrentar o atual prefeito.

No campo da esquerda, a deputada estadual Dani Portela, do PT, aparece como uma possibilidade para representar setores que desejam uma candidatura com identidade própria e forte ligação com as pautas sociais. Sua eventual entrada na disputa dependerá, naturalmente, das articulações partidárias e da estratégia que o PT decidir adotar na capital. Pelo PSOL, o deputado federal eleito Jones Manoel também poderá apresentar seu nome, apoiado na projeção conquistada no debate político e na capacidade de mobilização de segmentos mais ideológicos do eleitorado. A presença de ambos poderia ampliar a fragmentação do campo progressista, especialmente diante da necessidade de definição sobre o posicionamento dessas legendas em relação ao projeto de continuidade representado por Victor Marques.

Outro nome que merece atenção é o da vice-governadora Priscila Krause, do PSD. Com trajetória política consolidada no Recife, experiência parlamentar e participação no Executivo estadual, Priscila reúne credenciais para uma eventual candidatura competitiva, especialmente se contar com o apoio da governadora Raquel Lyra. Sua entrada no jogo representaria uma alternativa de peso e poderia reorganizar as alianças municipais. Entretanto, independentemente da quantidade de adversários, Victor Marques começará a corrida com uma vantagem objetiva: a condição de prefeito e candidato natural à reeleição. O desafio será transformar essa posição institucional em capital eleitoral, apresentar resultados administrativos e construir uma base política sólida. Para os demais postulantes, a tarefa será encontrar espaço, identidade e capacidade de convencimento diante de um adversário que já ocupa o centro do poder municipal. Em 2028, o Recife poderá ter muitos candidatos, mas a disputa começará com um nome a ser batido: Victor Marques.

Lula e o Centrão – Reeleito para o quarto mandato, o presidente Lula terá pela frente o desafio de reconstruir sua base no Congresso Nacional. O PT pretende negociar com os partidos do Centrão antes de definir os espaços no primeiro escalão. A distribuição de ministérios deverá estar condicionada ao compromisso efetivo das legendas com a agenda governista.

Hugo Motta fortalecido – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, amplia sua base de sustentação para disputar a reeleição ao comando da Casa. O apoio da federação PT-PCdoB-PV e as conversas com setores do PL demonstram sua capacidade de articulação. Motta caminha para consolidar uma posição privilegiada na próxima legislatura.

Disputa no Senado – A tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado movimenta os bastidores de Brasília. Apesar do apoio de partidos importantes, a oposição articula uma alternativa, com o nome de Rogério Marinho entre as possibilidades. A disputa será um dos primeiros grandes testes de força da nova composição parlamentar.

Orçamento em discussão – A escolha do senador Eduardo Braga para relatar o Orçamento de 2027 coloca o MDB no centro das negociações sobre os recursos federais. Com previsão de votação até 17 de dezembro, a proposta deverá provocar intensas articulações entre governo e parlamentares, especialmente em torno das emendas e das prioridades de investimento.

Reforma eleitoral – A articulação do Centrão para aprovar o voto distrital misto ainda neste ano enfrenta resistências tanto no PT quanto no PL. Apesar do discurso favorável à aproximação entre representantes e eleitores, muitos parlamentares demonstram preocupação com a mudança de regras que conhecem bem e pelas quais conquistaram seus mandatos. O consenso está longe de ser alcançado.

Inocente quer saber – Quem reúne as melhores condições de disputa na oposição em 2028?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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