Coluna desta quinta-feira

Foto: Reprodução

A disputa pelo comando da Alepe entra no radar de Raquel Lyra

A reeleição da governadora Raquel Lyra abriu um novo capítulo na política pernambucana, e uma das principais prioridades do seu segundo mandato passa pela relação com a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Depois de enfrentar dificuldades políticas decorrentes da ausência de um presidente da Alepe plenamente alinhado ao seu projeto, Raquel sabe que a previsibilidade na Casa de Joaquim Nabuco será fundamental para garantir tranquilidade administrativa e capacidade de articulação. A experiência do primeiro mandato deixou lições importantes sobre os custos de uma relação marcada por divergências, disputas de protagonismo e obstáculos na tramitação de matérias de interesse do Executivo. Agora, com a legitimidade renovada pelas urnas, a governadora pretende construir uma relação institucional mais estável, sem abrir mão de ter na presidência do Legislativo alguém de sua estrita confiança.

A movimentação pela composição da futura Mesa Diretora começou ainda no dia 4 de outubro, tão logo foram conhecidos os deputados eleitos e reeleitos. Desde então, conversas reservadas, articulações partidárias e avaliações sobre a correlação de forças passaram a dominar os bastidores da Alepe. Embora Raquel Lyra ainda não tenha externado publicamente uma preferência, os sinais políticos indicam que o Palácio do Campo das Princesas acompanha atentamente cada movimentação. Para a presidência, três nomes aparecem nas primeiras conversas: Antônio Moraes, Joãozinho Tenório e Gustavo Gouveia. Todos integram o conjunto de alternativas em discussão, mas a definição dependerá de fatores que vão além das relações pessoais com a governadora, envolvendo capacidade de articulação, trânsito entre as bancadas e condições de reunir uma maioria consistente.

A disputa pela primeira-secretaria promete ser igualmente movimentada. Responsável por atribuições administrativas relevantes dentro da Assembleia, o cargo representa uma peça importante na estrutura de poder da Casa. Francismar Pontes pretende permanecer na função, mas terá de enfrentar outras possibilidades que começam a ganhar espaço nas articulações. Entre os nomes mencionados estão Kaio Maniçoba, France Hacker e Gustavo Gouveia, que também aparece nas conversas sobre a presidência. Essa sobreposição demonstra que a composição da Mesa Diretora deverá resultar de uma negociação mais ampla, envolvendo acomodações partidárias, compromissos políticos e a distribuição dos principais espaços de influência. Paralelamente, Débora Almeida e Joaquim Lira também são lembrados como alternativas para a presidência, ampliando o leque de possibilidades e mostrando que a sucessão ainda está em sua fase inicial.

O fato é que a governadora chega ao segundo mandato com uma compreensão muito mais clara da importância estratégica da presidência da Assembleia. Ter uma base numericamente expressiva não significa, necessariamente, contar com uma condução legislativa afinada com as prioridades do governo. Por isso, a escolha do futuro comandante da Casa de Joaquim Nabuco deverá ocupar posição central nas articulações políticas dos próximos meses. Raquel ainda poderá preservar a discrição pública enquanto trabalha nos bastidores para consolidar entendimentos. A tendência é que a definição envolva negociações intensas, nas quais confiança política, capacidade de diálogo e compromisso institucional serão elementos decisivos. Para o Palácio, a eleição da Mesa Diretora deixou de ser apenas uma disputa interna do Legislativo e passou a integrar diretamente o planejamento político do próximo governo.

Rio Grande do Norte – Único estado com segundo turno no Nordeste, o Rio Grande do Norte terá uma pesquisa do DataTrends para o governo estadual. O levantamento aferirá a disputa entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT), quem tem como forte componente a aprovação ou desaprovação da governadora Fátima Bezerra e o destino dos eleitores de Álvaro Dias (PL), terceiro colocado na disputa.

Vantagem – A divulgação de novos levantamentos nacionais reforça o cenário de vantagem numérica de Flávio Bolsonaro sobre Lula na disputa presidencial. O agregador de pesquisas do UOL, atualizado nesta quarta-feira (14), aponta o candidato do PL com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% do petista. A diferença de 3,6 pontos percentuais evidencia o desafio de Lula para reverter o quadro a onze dias da eleição, sobretudo diante da elevada rejeição enfrentada pelo presidente.

Fim da escala 6×1 – O Senado avançou nesta quarta-feira na discussão da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, transformando a pauta trabalhista em mais um elemento da disputa presidencial. Defendida por Lula, a medida ganhou espaço na campanha, enquanto setores da oposição também passaram a apoiar sua tramitação. O movimento evidencia a tentativa dos dois campos políticos de conquistar o eleitorado trabalhador na reta final do segundo turno.

Tensão – A tramitação da PEC da Segurança Pública abriu uma nova frente de tensão entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, demonstrou preocupação com dispositivos que ampliam o poder do Legislativo para suspender atos do Conselho Nacional de Justiça. A proposta, defendida pelo governo Lula, avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e pode provocar um novo embate institucional justamente quando a segurança pública ocupa posição central no debate eleitoral.

Inocente quer saber – A governadora Raquel Lyra fará tudo que estiver ao seu alcance para eleger um presidente da Alepe de sua estrita confiança?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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