Coluna desta quinta-feira

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A recuperação de Lula e os desafios pela frente

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (20) mostrou um dado que o Palácio do Planalto aguardava com expectativa: a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir, alcançando 46%. Em paralelo, a desaprovação caiu para 51%, após ter atingido 57% em maio, o pior momento do atual mandato. Os números, embora ainda apontem para uma maioria crítica ao governo, revelam que Lula conseguiu estancar a sangria e, pouco a pouco, reconquistar uma fatia relevante do eleitorado.

Esse movimento de recuperação não é trivial. Nos meses anteriores, o governo enfrentava desgaste acelerado, resultado da deterioração do ambiente político e da percepção de dificuldades econômicas. O clima de instabilidade institucional, acentuado pela crise diplomática com os Estados Unidos após a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, também contribuiu para corroer a imagem presidencial. Nesse contexto, cada ponto de aprovação recuperado tem peso simbólico e político.

A retomada pode ser explicada por alguns fatores. O primeiro é a melhoria gradual da economia, ainda que em ritmo moderado. Inflação sob controle, queda dos juros básicos e avanços em programas sociais deram ao governo argumentos para se reposicionar junto ao eleitorado. Além disso, a postura mais ofensiva de Lula em defesa de seu legado e na tentativa de pautar o debate público parece ter surtido efeito, especialmente entre setores mais identificados com o campo progressista.

Outro aspecto relevante é o contraste com a oposição. Até aqui, adversários de Lula não conseguiram construir uma narrativa unificada nem apresentar alternativas sólidas. Essa fragmentação da oposição oferece ao presidente espaço para respirar, ainda que não elimine o risco de desgaste futuro.

Mas os desafios permanecem expressivos. O dado mais evidente é que, mesmo com a recuperação, a desaprovação ao governo ainda supera a aprovação. Isso significa que a maioria da população continua insatisfeita. Para reverter esse quadro, o Planalto precisa transformar a recuperação pontual em tendência consolidada, tarefa que exige resultados mais visíveis em áreas críticas como saúde, segurança e geração de empregos.

Há ainda o desafio da relação com o Congresso. A base governista, embora formalmente ampla, nem sempre garante votações tranquilas. A dependência de acordos pontuais e o peso de partidos do centrão tornam a governabilidade custosa e frágil. Se Lula quiser ampliar sua margem de aprovação, terá de demonstrar capacidade de articulação sem que isso se traduza em paralisia ou em escândalos que possam minar a credibilidade de seu governo.

No campo internacional, a crise com os EUA funciona como teste de fogo. O presidente precisa equilibrar a defesa da soberania nacional com a necessidade de manter boas relações econômicas e diplomáticas. O desgaste nesse terreno pode afetar investimentos e, por consequência, o desempenho da economia — peça-chave para sustentar a recuperação de popularidade.

Em resumo, a pesquisa Quaest indica que Lula conseguiu inverter a curva negativa e abre espaço para um novo momento político. Mas a travessia até consolidar uma maioria favorável será longa e repleta de obstáculos. A popularidade voltou a subir, mas a confiança do eleitorado ainda está em reconstrução.

CoordenadorO prefeito de Toritama, Sérgio Colin (PP), foi escolhido pela direção da Federação União Progressistas para coordenar as campanhas estratégicas no Agreste em 2026, assumindo a missão de articular apoios em torno das candidaturas do deputado federal Eduardo da Fonte ao Senado e do ex-prefeito de Toritama Edilson Tavares à Câmara Federal, reforçando sua posição como liderança regional e ampliando o protagonismo político da cidade no cenário estadual.

Destaque – O Recife foi destaque no Evento Anual da Motriz – Redes que Transformam (RQT), realizado nesta quarta-feira (20), em Guarulhos, ao ser apresentado como exemplo de governança integrada e inovação no enfrentamento das desigualdades sociais; o prefeito João Campos ressaltou resultados como a duplicação das vagas em creches, a busca ativa que garantiu mais de 4 mil matrículas de crianças em vulnerabilidade e a experiência da vacinação na pandemia, reforçando que políticas públicas só têm impacto real quando unem forças para alcançar quem mais precisa.

PresençaA governadora Raquel Lyra também participou do Evento Anual da Motriz 2025 – Redes que Transformam, em São Paulo, e destacou a liderança de Pernambuco na educação pública, ressaltando avanços como a expansão do ensino em tempo integral, a construção de 250 creches, o fortalecimento do regime de colaboração com municípios e os resultados expressivos na alfabetização, defendendo ainda políticas duradouras e integradas entre União, Estados e municípios para garantir aprendizagem e reduzir desigualdades.

AprovadoA Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou, em segunda votação e por unanimidade, o PL 3162/2025, de autoria do deputado Coronel Alberto Feitosa, que estabelece sanções administrativas e criminais contra iniciativas que promovam a erotização ou adultização de crianças e adolescentes; o texto segue agora para sanção da governadora Raquel Lyra, tornando o Estado pioneiro na criação de uma lei específica sobre o tema.

Inocente quer saber – Com a inelegibilidade de Bolsonaro e a fragmentação da direita, Lula poderá ser reeleito em 2026?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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