Coluna desta quarta-feira

Foto: Yacy Ribeiro

Raquel chega à reta final com vantagem na guerra das estruturas

A reta final da eleição para o Governo de Pernambuco acrescenta uma variável importante à disputa entre Raquel Lyra e João Campos: a capacidade de mobilização das estruturas políticas espalhadas pelo Estado. E, nesse quesito, a governadora chega aos últimos dias da campanha com uma rede municipal numericamente mais ampla.

O dado mais expressivo está nas prefeituras. Levantamentos realizados ao longo da campanha apontaram 145 dos 184 prefeitos pernambucanos no campo de Raquel, contra 39 ligados a João. Isso representa aproximadamente 79% das prefeituras para a governadora e 21% para o socialista.

Prefeito não transfere voto automaticamente. Mas, numa eleição estadual, representa capilaridade: vereadores, secretários, lideranças comunitárias e uma estrutura política funcionando diariamente no município. Nos últimos dias, quando as campanhas precisam estar simultaneamente em dezenas de cidades, essa rede ganha importância.

A vantagem estrutural de Raquel não termina nas prefeituras. A governadora também chega à reta final cercada por um conjunto expressivo de candidaturas proporcionais competitivas.

No PSD estão deputados, candidatos à reeleição e lideranças com bases consolidadas. A União Progressista acrescenta estruturas importantes, como Lula da Fonte, Fernando Filho e o grupo político de Miguel Coelho, especialmente relevante no Sertão do São Francisco.

O Podemos também merece destaque nessa conta. Gilson Machado, Marcelo Gouveia e Ricardo Teobaldo disputam a Câmara Federal pela legenda. São nomes com experiência eleitoral e bases próprias, acrescentando outra rede de mobilização à candidatura da governadora.

A estrutura de Raquel ainda recebe apoios que ultrapassam os limites formais de sua coligação. É por isso que uma análise de capilaridade não pode se restringir à fotografia jurídica das alianças. O importante, na reta final, é identificar quem efetivamente está pedindo voto e colocando sua estrutura na rua.

João Campos, naturalmente, também possui nomes eleitoralmente fortes. Uma análise de sua estrutura precisa contabilizar Silvio Costa Filho, Augusto Coutinho e Iza Arruda, além de Pedro Campos, Felipe Carreras, Lucas Ramos e outros candidatos competitivos dos partidos que gravitam em torno de sua candidatura.

Há ainda uma peculiaridade: a eleição proporcional não obedece perfeitamente às fronteiras da disputa majoritária. Existem prefeitos que apoiam determinado candidato a governador e, simultaneamente, trabalham para deputados vinculados politicamente ao outro campo. Por isso, contar apenas partidos ou candidatos pode produzir uma fotografia distorcida.

É justamente na sobreposição das estruturas que aparece um dos principais ativos de Raquel.

Quando um prefeito aliado da governadora também trabalha para candidatos competitivos a deputado federal e estadual que estão no mesmo campo político, forma-se uma cadeia eleitoral: governador, deputado federal, deputado estadual, prefeito, vereadores e lideranças municipais trabalhando no mesmo território. Essa combinação tende a aparecer com maior intensidade no interior.

João tenta compensar essa diferença com outros ativos. Possui uma frente partidária extensa, candidatos proporcionais competitivos, maior espaço no horário eleitoral e o apoio do presidente Lula. Também intensificou suas agendas pelo interior justamente durante a fase decisiva da campanha. Mas a eleição entra agora numa etapa diferente daquela do início do horário eleitoral.

Nos últimos dias, a capacidade de mobilizar lideranças, realizar atos simultâneos, organizar militância, distribuir material e fazer a campanha chegar aos municípios menores passa a ter peso operacional crescente. Isso não significa que 145 prefeitos sejam capazes de determinar o voto de seus municípios. A história eleitoral oferece inúmeros exemplos de prefeitos que não conseguiram transferir integralmente seus votos. Tampouco uma candidatura competitiva a deputado significa transferência automática para governador.

O que os números permitem observar é algo mais específico: Raquel chega à reta final dispondo de uma rede municipal mais numerosa e acompanhada por um conjunto relevante de candidaturas proporcionais competitivas. João tem estruturas fortes e candidatos capazes de produzir grandes votações. Raquel, por sua vez, construiu uma malha política que alcança grande parte dos municípios pernambucanos.

Na reta final, a questão passa a ser outra: quanto dessa estrutura conseguirá ser transformada em mobilização e quanto dessa mobilização efetivamente chegará às urnas.

Sargento Almeida – Candidato a deputado federal, Sargento Almeida tornou-se uma das principais surpresas do PSD. Ele está crescendo bastante na reta final e poderá ser determinante para que o partido eleja quatro deputados federais.

Voltando – A ex-deputada estadual Roberta Arraes está pavimentando sua volta à Casa de Joaquim Nabuco nestas eleições. Ela sairá com grande votação de Araripina e poderá voltar a representar o Araripe no legislativo estadual.

DataLyra – Amanhã será divulgado mais uma edição do DataLyra, a projeção mais aguardada de Pernambuco para a Câmara dos Deputados e para a Alepe. Todos os detalhes serão divulgados a partir de meia noite.

Inocente quer saber – Qual será o impacto da estrutura de prefeitos e de deputados para a votação de Raquel Lyra nas urnas?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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