Coluna desta quarta-feira

Foto: Divulgação

Pernambuco pode ampliar vantagem de Lula, mas Flávio preserva um terço dos votos válidos

Pernambuco continuará sendo em 2026 um dos principais pilares eleitorais de Lula no país, mas os números da Quaest divulgada nesta terça-feira revelam uma configuração interessante quando comparados com o resultado das urnas de 2022. No segundo turno daquela eleição, Lula conquistou 66,93% dos votos válidos no estado, contra 33,07% de Jair Bolsonaro. Foram aproximadamente 3,64 milhões de votos para o petista e 1,80 milhão para Bolsonaro, dentro de um universo de 5,44 milhões de votos válidos. Quatro anos depois, a Quaest aponta Lula com 57% das intenções de voto contra 26% de Flávio Bolsonaro, além de 11% de brancos e nulos e 6% de indecisos. Retirados esses dois últimos grupos, Lula alcançaria hoje 68,67% dos votos válidos, enquanto Flávio ficaria com 31,33%. Ou seja: proporcionalmente, o cenário atual é ligeiramente melhor para Lula do que o resultado efetivamente obtido em 2022.

A comparação ganha dimensão ainda maior quando transformada em votos. Pernambuco tinha 7.018.098 eleitores em 2022 e passou para 7.225.744 em 2026, um crescimento de quase 208 mil eleitores. Mantido aproximadamente o mesmo percentual de votos válidos sobre o eleitorado registrado em 2022, Pernambuco teria perto de 5,60 milhões de votos válidos para presidente neste segundo turno. Aplicando a proporção atual da Quaest, Lula chegaria a aproximadamente 3,85 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro teria cerca de 1,75 milhão. A vantagem do presidente, portanto, poderia superar 2,09 milhões de votos somente em Pernambuco. Comparativamente a 2022, Lula acrescentaria algo próximo de 200 mil votos, enquanto Flávio ficaria cerca de 45 mil votos abaixo da votação obtida pelo pai quatro anos antes. Trata-se, evidentemente, de uma projeção baseada na fotografia atual da pesquisa e na repetição do padrão de comparecimento e votos válidos de 2022, e não de uma previsão fechada do resultado.

Há, porém, uma informação política importante escondida nesses números. Pernambuco não apresenta uma ruptura do eleitorado conservador. Jair Bolsonaro conseguiu 33,07% dos votos válidos em 2022 e Flávio Bolsonaro, pela Quaest atual, teria 31,33%. A diferença é pequena. Isso significa que, apesar da força histórica de Lula em seu estado natal e de toda a vantagem construída pelo petista no Nordeste, existe em Pernambuco um contingente bastante consolidado de aproximadamente um terço do eleitorado válido identificado com o campo bolsonarista. Para Flávio, portanto, alcançar algo entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de votos significaria praticamente preservar o patrimônio eleitoral construído pelo pai no estado. Para Lula, o desafio é exatamente o inverso: ampliar sua margem pernambucana para compensar eventuais dificuldades em regiões mais competitivas do país. Nacionalmente, essa necessidade tornou-se ainda mais relevante porque a Quaest mais recente aponta empate de 41% a 41% entre Lula e Flávio num eventual segundo turno.

É justamente aí que Pernambuco pode assumir peso estratégico na eleição presidencial. Se o cenário nacional permanecer equilibrado, não bastará a Lula simplesmente vencer no estado: será necessário construir uma diferença gigantesca. Uma vantagem projetada superior a 2 milhões de votos em Pernambuco representa quase um estado inteiro funcionando como colchão eleitoral para o presidente diante das perdas que eventualmente venha a sofrer no Sul, Sudeste ou Centro-Oeste. Flávio, por sua vez, não precisa necessariamente vencer Pernambuco nem chegar perto disso; seu objetivo estratégico é impedir que Lula transforme o estado numa máquina de produzir saldo eleitoral. Em 2022, Pernambuco entregou a Lula uma vantagem de aproximadamente 1,84 milhão de votos sobre Jair Bolsonaro. Pela fotografia atual da Quaest, esse saldo poderia ultrapassar 2,09 milhões em 2026. Se a eleição nacional for decidida por uma margem estreita, os cerca de 250 mil votos adicionais de vantagem projetada em Pernambuco podem deixar de ser apenas uma estatística regional para se transformar em parte decisiva da matemática que definirá quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2027.

QuaestNa Quaest divulgada ontem para governador de Pernambuco, o cenário estimulado aponta Raquel Lyra com 43% e João Campos com 37%. A governadora, portanto, mantém 6 pontos de vantagem sobre o ex-prefeito do Recife.

SenadoA pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) mostra Marília Arraes (PDT) com 17% das intenções de voto para o Senado em Pernambuco, seguida por Humberto Costa (PT), com 14%, Mendonça Filho (PL), com 11%, Eduardo da Fonte (PP), com 7%, e Túlio Gadêlha (PSD), com 4%. Como o eleitor pernambucano escolherá dois senadores em 2026, os percentuais correspondem ao consolidado das duas escolhas. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 4 e 7 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Potencial de votoA pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) mostra que 60% dos eleitores pernambucanos afirmam conhecer Raquel Lyra e votar nela, enquanto 55% dizem o mesmo sobre João Campos. No sentido contrário, 34% conhecem Raquel, mas não votariam nela, e 38% conhecem João e não votariam nele. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 4 e 7 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

Inocente quer saber – Os números da Quaest animaram a campanha de João Campos para a reta final?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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