
Vantagem de Lula é menor do que em julho de 2022
As pesquisas divulgadas em julho de 2026 reforçam um cenário que contrasta com o mesmo período da campanha presidencial de 2022. Embora Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continue liderando parte dos levantamentos, sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) é muito menor do que a registrada diante de Jair Bolsonaro há quatro anos. Mais do que isso, os números divulgados nesta terça-feira consolidam uma percepção cada vez mais evidente: a eleição está completamente em aberto.
Em julho de 2022, Lula aparecia com índices entre 44% e 47% no primeiro turno, enquanto Jair Bolsonaro variava entre 29% e 36%, dependendo do instituto. A vantagem oscilava de oito a dezoito pontos percentuais. Nos cenários de segundo turno, o petista também mantinha folga confortável, chegando a abrir vinte pontos em alguns levantamentos. Ainda assim, Bolsonaro conseguiu reduzir significativamente a diferença ao longo da campanha e terminou o primeiro turno com 48,4% dos votos válidos para Lula contra 43,2% para o então presidente.
O quadro de 2026 é bem diferente. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta semana apontou Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, diante de 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, a vantagem era de apenas três pontos percentuais — 47% a 44% —, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
Já a pesquisa Futura/Apex, divulgada nesta terça-feira, foi além ao mostrar praticamente um empate absoluto entre os dois principais postulantes ao Palácio do Planalto. No cenário de segundo turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 46,1%, uma diferença de apenas dois décimos de ponto percentual, estatisticamente irrelevante.
A comparação entre 2022 e 2026 revela uma mudança importante na dinâmica eleitoral. Há quatro anos, Lula administrava uma vantagem confortável e o desafio de Bolsonaro era diminuir uma diferença consolidada. Agora, Flávio Bolsonaro chega à reta decisiva da campanha praticamente empatado com o presidente da República. Isso significa que qualquer fato político relevante, desempenho em debates, mudanças no cenário econômico ou mobilização das campanhas poderá alterar o equilíbrio da disputa.
Outro aspecto que merece atenção é a resiliência dos dois polos. Nas últimas semanas, temas que poderiam produzir desgaste para ambos os lados — como as divergências públicas envolvendo Michelle e Flávio Bolsonaro e as repercussões do caso envolvendo o filme Dark Horse — não provocaram alterações estruturais no quadro eleitoral. Ao contrário, os levantamentos indicam estabilidade e mostram que os dois candidatos preservam suas bases de apoio, tornando a disputa ainda mais dependente da movimentação dos eleitores indecisos e daqueles que hoje pretendem votar em branco ou anular o voto.
A principal conclusão é evidente. Se em julho de 2022 as pesquisas mostravam Lula em posição relativamente confortável, mas a campanha acabaria reduzindo sua vantagem, em julho de 2026 essa margem praticamente desapareceu antes mesmo do início da fase mais intensa da disputa. O favoritismo, se ainda pode ser atribuído ao atual presidente em alguns levantamentos, tornou-se extremamente estreito. Com diferentes institutos apontando cenários de empate técnico e um deles registrando apenas 0,2 ponto de diferença entre os pré-candidatos, a eleição presidencial entra na reta decisiva como a mais aberta e imprevisível desde a redemocratização.
Campanha nas ruas – As ruas da região metropolitana do Recife receberam a campanha de 18 anos do Blog Edmar Lyra. Produzida pela Mandacaru Digital, ela é veiculada pela Trend Mídia em diversos painéis de Led espalhados por várias cidades da RMR.
Aprovação – O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, em dois turnos e por 73 votos a 1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Considerada uma “pauta-bomba” pela equipe econômica do governo Lula devido ao impacto estimado de R$ 27 bilhões nas contas da Previdência ao longo de dez anos, a matéria segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional, sem possibilidade de veto presidencial por se tratar de uma alteração na Constituição.
Operação – A Polícia Federal concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, e enviou um relatório de 265 páginas ao ministro André Mendonça, do STF, relator do caso; agora, as conclusões seguirão para a Procuradoria-Geral da República, que decidirá se apresenta denúncia, pede arquivamento ou novas diligências. Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio de Oliveira Filho, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca, e o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, em um esquema que, segundo os investigadores, pode ter causado prejuízo de até R$ 6,3 bilhões.
Inocente quer saber – Flávio Bolsonaro chegará competitivo em outubro?


