Coluna da Folha desta segunda-feira

A irresponsabilidade das manifestações durante a pandemia  

O final de semana foi marcado por manifestações em diversas capitais do país contra o presidente Jair Bolsonaro, elas aconteceram duas semanas depois de milhares de brasileiros fazerem manifestações em defesa do presidente. É bem verdade que o país enfrenta uma ebulição política desde 2013 quando eclodiram manifestações contra a então presidente Dilma Rousseff e desabaram a popularidade dela e dos governadores à época.

Elas continuaram e culminariam no impeachment de Dilma em 2016, porém permaneceram nas ruas até o ano passado quando se iniciou a pandemia da Covid-19. Em que pese os equívocos adotados pelo presidente no combate a pandemia, somados aos executados por demais integrantes da classe política, não é razoável o país dividir manifestações entre aglomerações “do bem” e “do mal”. Todas são aglomerações e são extremamente contraproducentes para um país que perdeu mais de 460 mil brasileiros para a pandemia e contempla mais de 16 milhões de infectados pela Covid-19.

É importante frisar que estamos há quatorze meses com fechamento sazonal de comércios, de escolas, e ações que impactaram diretamente no aumento do desemprego no país, e nenhum governador ou prefeito editou decretos ao seu bel-prazer, isso se deu para tentar frear a curva de contaminação e evitar um colapso ainda maior do que atingimos até agora.

Existem formas de manifestar indignação contra qualquer que seja o governante, como também defendê-lo se assim julgar pertinente, hoje o advento das redes sociais permite que possamos mandar o recado sem necessariamente enchermos as ruas de pessoas no sentido de agravar a já complicada situação dos hospitais brasileiros. Mas nenhuma delas será mais eficiente do que o voto, encontro marcado para outubro de 2022, até lá é preciso prudência de ambos os lados, pois atacar a aglomeração que for contrária ao seu pensamento político não levará o Brasil a lugar nenhum, apenas ao aumento de mortes e de mais prejuízo para a sociedade.

Muito turismo – O Ministro da Saúde Marcelo Queiroga veio a Pernambuco ao lado do titular do Turismo no Governo Federal, Gilson Machado, neste final de semana. Mas, quem esperava ações efetivas, se frustrou.

Pedidos – No começo da semana, diante da aceleração dos dados da Covid-19 no Agreste, o governador Paulo Câmara pediu apoio ao Governo Federal com envio de 1 mil cilindros de Oxigênio, testes de antígeno, celeridade no sequenciamento de possíveis variantes e vacinas. O ministro só anunciou o envio de 146 concentradores de O2 – 3 vezes menos que a pedida de Pernambuco.

Ajuda – Durante a semana, diante da gravidade da situação, o Governo de Pernambuco já havia enviado 149 concentradores para os municípios do interior e montou uma central de fornecimento de oxigênio para socorrer emergencialmente as unidades de saúde , que até às 17h do domingo havia socorrido 30 cidades com o envasamento de 398 cilindros.

Inocente quer saber – O número de casos de Covid-19 no Brasil aumentará após as manifestações do último sábado?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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