Coluna desta quarta-feira

Foto: Divulgação

Mano Medeiros e a força política de quem sabe somar

Na política, a força de uma liderança não se mede apenas pelo mandato que ocupa, mas também pela capacidade de construir relações, reunir aliados e participar das decisões que definem o futuro. Em Jaboatão dos Guararapes, o prefeito Mano Medeiros chega às discussões sobre a sucessão municipal de 2028 com um conjunto de ativos políticos que merece atenção. Enquanto algumas lideranças começam a se movimentar em torno de possíveis candidaturas, Mano mantém o foco na administração, na presença junto à população e na preservação de alianças. Sua participação na construção do próximo cenário eleitoral passa por três elementos centrais: o resultado das urnas, a interlocução com o Governo do Estado e a capacidade de dialogar com diferentes forças políticas.

O primeiro elemento é eleitoral. A eleição de Andréa Medeiros para a Assembleia Legislativa representou um resultado importante para o grupo político do prefeito. Com 33.327 votos em Jaboatão dos Guararapes, Andréa alcançou, conforme os números apresentados, a maior votação municipal entre os candidatos a deputado estadual, demonstrando a dimensão eleitoral construída pelo grupo na cidade. Mais do que a conquista de um mandato parlamentar, o resultado ampliou a presença política da família Medeiros e estabeleceu uma nova frente de atuação na Assembleia Legislativa. Para Mano, esse desempenho integra o capital político que poderá ser mobilizado nas articulações dos próximos anos, especialmente em um município com a importância eleitoral e estratégica de Jaboatão.

O segundo elemento está na relação com a governadora Raquel Lyra. A interlocução entre a Prefeitura de Jaboatão e o Palácio do Campo das Princesas representa uma dimensão relevante tanto para a administração municipal quanto para o ambiente político. Em uma cidade que necessita de investimentos permanentes em infraestrutura, mobilidade, saúde e desenvolvimento econômico, a articulação institucional com o Governo do Estado ganha importância. Politicamente, essa proximidade também insere Mano nas conversas sobre a reorganização das forças que disputarão espaço em 2028. A relação com Raquel amplia os canais de diálogo do prefeito e acrescenta uma dimensão estadual às negociações que deverão marcar a sucessão municipal.

O terceiro elemento, talvez o mais significativo para compreender a estratégia política de Mano, é sua disposição para construir convergências. Diferentemente de quem procura antecipar o debate eleitoral com a apresentação de candidaturas, o prefeito tem concentrado sua atuação na manutenção de interlocuções e na construção de entendimentos. Em uma disputa municipal, alianças partidárias, lideranças comunitárias, vereadores e diferentes segmentos da sociedade compõem uma equação que exige capacidade de articulação. Evidentemente, o cenário de 2028 ainda está aberto, e outros atores políticos também buscarão organizar seus projetos. Mas Mano participa desse processo com a experiência de quem ocupa a Prefeitura, com a representação parlamentar conquistada por Andréa e com canais de diálogo no âmbito estadual. No xadrez político, antecipar movimentos pode ser importante, mas compreender o momento de cada decisão também faz parte do jogo. A sucessão de Jaboatão será construída a partir de projetos, alianças e da capacidade de reunir diferentes forças em torno de uma proposta para a cidade. É nesse ambiente que Mano Medeiros pretende exercer seu papel, tendo a política de agregação como uma das marcas de sua atuação.

Corda esticada – Na disputa pela Mesa Diretora da Alepe, a governadora Raquel Lyra parece adotar a estratégia de dar corda aos aliados, permitindo que cada um se movimente livremente e revele suas verdadeiras intenções. Enquanto os interessados articulam apoios e testam suas forças, a governadora observa atentamente cada movimento. A aparente liberdade não deve ser confundida com desatenção. No momento de definir os espaços de poder, os gestos de agora poderão pesar na balança. Quem interpretar mal os sinais e der um passo em falso poderá comprometer seu futuro político junto ao Palácio do Campo das Princesas.

Novo Congresso – Reeleito para mais um mandato, o presidente Lula terá pela frente um Congresso com maior presença da oposição a partir de fevereiro de 2027. A nova composição parlamentar exigirá uma articulação mais intensa com partidos de centro e lideranças independentes. A montagem da base governista será uma das primeiras provas políticas do novo mandato.

Segurança pública – A aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado recoloca o combate ao crime organizado no centro da agenda nacional. A proposta amplia a coordenação federal e estabelece novos mecanismos de cooperação entre União, estados e municípios. O desafio agora será transformar as mudanças constitucionais em resultados concretos para a população.

Reforma eleitoral – O presidente da Câmara, Hugo Motta, abriu espaço para discussões sobre a implantação do voto distrital misto. A proposta enfrenta resistências entre parlamentares eleitos pelo sistema proporcional, especialmente pelas dúvidas sobre a definição dos distritos e a composição das listas partidárias. Alterar as regras do jogo exigirá uma negociação complexa.

Força em Sertânia – A prefeita Pollyana Abreu saiu das eleições de 2026 com um resultado expressivo em Sertânia. Sob sua liderança política, Raquel Lyra conquistou 11.720 votos no município, a maior votação para governador desde Eduardo Campos, em 2010. Os deputados apoiados pela gestora também alcançaram votações significativas, mesmo com alguns vereadores da base optando por outros candidatos. O desempenho nas urnas evidencia a capacidade de mobilização do grupo político liderado por Pollyana e amplia seu protagonismo nas articulações municipais e estaduais.

Orçamento de 2027 – O governo federal terá de conciliar as promessas apresentadas durante a campanha presidencial com as limitações fiscais e as exigências do Congresso. A discussão do Orçamento de 2027 será determinante para definir o espaço disponível para investimentos, programas sociais e novas iniciativas. A negociação também servirá como termômetro da relação entre o Palácio do Planalto e o Legislativo.

Inocente quer saber – Tem deputado governista que já caiu em desgraça com o Palácio do Campo das Princesas?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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