
O peso da história no segundo turno presidencial
Desde a redemocratização, uma característica chama atenção nas eleições presidenciais brasileiras: nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter o resultado na votação decisiva. Entre 1989 e 2022, foram sete eleições com segundo turno, todas vencidas pelo primeiro colocado. O retrospecto ganha relevância em 2026, quando Flávio Bolsonaro chega à etapa final à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 1989, Fernando Collor liderou o primeiro turno com 30,47% dos votos válidos, contra 17,19% de Lula, e venceu a disputa com 53,03%. Nas eleições de 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso conquistou a Presidência diretamente no primeiro turno, com 54,28% e 53,06%, respectivamente.
Em 2002, Lula obteve 46,44% na primeira votação, diante dos 23,20% de José Serra, e venceu o segundo turno com 61,27%. Quatro anos depois, em 2006, novamente liderou a etapa inicial, com 48,61%, contra 41,64% de Geraldo Alckmin, confirmando a reeleição com 60,83%.
A sequência continuou em 2010, quando Dilma Rousseff liderou com 46,91% e venceu José Serra com 56,05%. Em 2014, Dilma enfrentou uma disputa mais apertada contra Aécio Neves, mas confirmou a liderança inicial, conquistando 51,64% dos votos válidos.
Em 2018, Jair Bolsonaro alcançou 46,03% no primeiro turno e venceu Fernando Haddad com 55,13%. Já em 2022, Lula liderou com 48,43%, contra 43,20% de Bolsonaro, e confirmou sua vitória por 50,90% a 49,10%, na disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização.
Agora, em 2026, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença de 2.224.965 votos representa uma vantagem inicial de 1,87 ponto percentual para o candidato do PL.
Além da liderança nas urnas, Flávio recebeu o apoio de três adversários derrotados: Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Juntos, eles conquistaram aproximadamente 6,38 milhões de votos no primeiro turno. As declarações ampliam o arco de alianças do senador, embora não assegurem a transferência integral desse eleitorado.
A movimentação acrescenta uma variável importante à disputa. Lula precisa conquistar novos eleitores para superar a diferença inicial, enquanto Flávio busca preservar sua votação e transformar os apoios recebidos em votos. O comparecimento eleitoral e a distribuição dos votos dos demais candidatos também serão determinantes.
O retrospecto de 1989 a 2022 revela uma sequência de sete confirmações da liderança inicial, mas não estabelece uma regra imutável. A eleição de 25 de outubro mostrará se o padrão histórico será novamente observado ou se o país registrará uma virada inédita nas disputas presidenciais desde a redemocratização.
Pesquisas convergentes – Os três principais levantamentos divulgados nesta semana sobre o segundo turno presidencial apontam Flávio Bolsonaro à frente de Lula. O Datafolha registrou 52% a 48% dos votos válidos, enquanto o PoderData apresentou 53% a 47%. Já o AtlasIntel/Bloomberg, divulgado nesta sexta-feira, apontou 52,8% para Flávio e 47,2% para Lula. Os números mostram uma vantagem numérica do candidato do PL entre quatro e seis pontos percentuais, superior à diferença de 1,87 ponto registrada no primeiro turno. Apesar da convergência, os institutos utilizam metodologias distintas, e os resultados representam o cenário medido neste início de campanha, não uma antecipação do resultado das urnas.
Novas pesquisas – A disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula terá uma nova rodada de pesquisas nos próximos dias. O Ipespe tem levantamento previsto para este sábado (10), seguido pelo DataTrends no domingo (11), com 2 mil entrevistas em todo o país. Na segunda-feira (12), está prevista uma pesquisa da Quaest, enquanto terça-feira (13) poderá concentrar divulgações da Futura Inteligência, GERP, Nexus e PoderData. Os levantamentos registrados na Justiça Eleitoral permitirão acompanhar a evolução das intenções de voto neste início de segundo turno, marcado pela polarização entre os dois candidatos.
Governadores eleitos – As eleições de domingo (4) definiram 20 governadores ainda no primeiro turno, com destaque para o PL, que conquistou cinco governos estaduais, seguido pelo PSD, com quatro. PT e Republicanos elegeram três governadores cada, enquanto o PP conquistou dois, e MDB, PSDB e Podemos ficaram com um cada. Entre os eleitos estão Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina; e Sergio Moro (PL), no Paraná. As outras sete unidades da Federação terão seus governadores definidos no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Inocente quer saber – O que Lula fará para reverter a desvantagem no primeiro turno e nas pesquisas de segundo turno?



