
Pesquisas redesenham disputa presidencial e colocam abstenção no centro do segundo turno
A corrida presidencial de 2026 ganhou novos contornos após a votação do último domingo. Se durante boa parte da campanha o presidente Lula aparecia numericamente à frente nas principais pesquisas, os primeiros levantamentos divulgados após o primeiro turno apresentam um cenário diferente, com Flávio Bolsonaro assumindo a dianteira nas intenções de voto. A mudança ocorre depois de o senador do PL ter terminado a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, contrariando as expectativas de parte dos institutos.
O DataTrends, em levantamento nacional divulgado na reta final do primeiro turno, já havia identificado o equilíbrio da disputa presidencial. Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam rigorosamente empatados, com 45% das intenções de voto para cada um. A pesquisa, realizada entre 28 e 30 de setembro, registrou margem de erro de 2,19 pontos percentuais e antecipou um cenário de forte competitividade entre os dois candidatos, embora não tenha indicado a ordem de chegada verificada nas urnas.
O instituto Veritá, em pesquisa divulgada no dia 6 de outubro, apresentou Flávio Bolsonaro com 51,56% dos votos válidos, contra 48,44% de Lula. Apesar de divulgada após a eleição, a coleta havia sido concluída antes do primeiro turno. Já o PoderData, em levantamento divulgado nesta quinta-feira (8), apontou Flávio com 53% e Lula com 47% dos votos válidos. Na pesquisa anterior do instituto, os dois apareciam empatados em 50% a 50%.
O Datafolha também registrou uma mudança importante. Na pesquisa divulgada nesta quinta-feira, Flávio Bolsonaro alcançou 52% dos votos válidos, enquanto Lula apareceu com 48%. Considerando todos os entrevistados, os percentuais são de 49% para o senador e 45% para o presidente, configurando empate técnico no limite da margem de erro de dois pontos percentuais. O contraste com os levantamentos anteriores reforça a percepção de que o primeiro turno produziu uma reorganização das intenções de voto.
Outro componente relevante dessa disputa é a abstenção. O Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula, registrou 18,36% de ausentes no primeiro turno, abaixo da média nacional de 21,07%. A região apresentou, portanto, uma mobilização eleitoral relativamente elevada, especialmente em estados como Ceará, Piauí e Paraíba.
Entretanto, o segundo turno terá uma particularidade: apenas o Rio Grande do Norte voltará às urnas para escolher governador. Nos outros oito estados nordestinos, a disputa será exclusivamente presidencial. Essa circunstância pode reduzir o envolvimento de lideranças estaduais, prefeitos e estruturas políticas locais, que tiveram papel importante na mobilização do primeiro turno.
Para Lula, o risco político está na possibilidade de uma queda proporcionalmente maior do comparecimento em regiões onde concentra seus votos. Caso isso aconteça, sua votação poderá ser afetada mesmo sem uma transferência expressiva de eleitores para Flávio Bolsonaro. Por outro lado, a campanha petista poderá procurar compensar esse risco com uma mobilização especificamente voltada à eleição presidencial. O efeito concreto dependerá do comportamento do eleitorado nas diferentes regiões.
O fato é que a disputa entrou em uma nova etapa. As pesquisas DataTrends, Veritá, PoderData e Datafolha, consideradas em seus respectivos períodos de coleta, ajudam a compreender a passagem de um quadro de equilíbrio para levantamentos que apresentam vantagem numérica de Flávio Bolsonaro. Ainda restam mais de duas semanas de campanha, debates e propaganda eleitoral.
O segundo turno será decidido não apenas pela capacidade de conquistar novos votos, mas também pela eficiência de cada candidatura em levar seus eleitores às urnas no próximo dia 25. Nesse contexto, a abstenção poderá ser tão importante quanto a própria migração de votos.
Decisão – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira (8), por cinco votos a dois, anular os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Com a decisão, Douglas Ruas (PL), que havia conquistado 49,27% dos votos válidos no último domingo, passa a superar a maioria absoluta, alcançando aproximadamente 50,9% e dispensando a realização do segundo turno contra Eduardo Paes (PSD). Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) realizar a retotalização e proclamar oficialmente Ruas governador eleito. Eduardo Paes anunciou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a decisão.
Opções – Primeiro suplente da União Progressista para deputado federal, Miguel Coelho terá duas opções ofertadas pela governadora Raquel Lyra. A primeira opção será a convocação de Juliana de Chaparral para o secretariado, a outra seria o próprio Miguel ser secretário de Desenvolvimento Econômico do estado.
Alternativa – Uma opção menos provável mas não descarada seria a convocação de Fernando Filho para o ministério de Minas e Energia em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Essa opção alçaria Miguel Coelho ao cargo de deputado federal.
Inocente quer saber – Eduardo Paes já pode pedir música no Fantástico após perder 2006, 2018 e 2026?


