
Integrante da Chapa 2 – “Levante Coren”, Priscila esconde polêmica sobre a própria habilitação do grupo e precisa explicar à Enfermagem por que candidatura de sua chapa depende da reversão de decisão eleitoral
A Enfermagem pernambucana precisa conhecer uma informação que não pode ser escondida em meio à campanha eleitoral do Coren-PE: a chapa da qual Priscila Ferraz faz parte teve sua inscrição indeferida pela Comissão Eleitoral. A Chapa 2 – “Levante Coren”, Quadro I, teve a candidatura de sete de seus integrantes questionada por irregularidades, incluindo situações relacionadas a débitos perante o Sistema Cofen/Conselhos Regionais e, em um dos casos, ao descumprimento do tempo mínimo de inscrição exigido para concorrer.
Priscila Ferraz (PSB) coleciona uma série de derrotas políticas desde 2016 até o último domingo (4), quando concorreu a deputada federal e novamente não saiu vitoriosa. Longe de representar uma liderança política de peso para a Enfermagem e envolvida agora em mais uma polêmica, a pergunta que fica é: como alguém que pretende ocupar e comandar um Conselho responsável por fiscalizar a regularidade profissional da Enfermagem pode pedir o voto da categoria enquanto a própria chapa que integra enfrenta um indeferimento por irregularidades?
Não se trata de uma simples questão burocrática. Para milhares de profissionais, estar regular perante o Sistema Cofen/Conselhos Regionais é uma obrigação para o exercício da profissão. A regularidade não é opcional para quem trabalha na Enfermagem. Por isso, causa estranhamento que uma chapa que pretende assumir justamente a representação da categoria tenha integrantes cuja situação foi questionada no processo de habilitação eleitoral.
A chapa têm o direito de contestar e recorrer da decisão. O que precisa ser questionado, entretanto, é outra coisa: a categoria está sendo informada de que a chapa foi indeferida e que sua participação depende da reversão dessa decisão? Ou os profissionais estão recebendo pedidos de voto como se a candidatura estivesse definitivamente regularizada?
Uma coisa é uma chapa habilitada e apta a disputar a eleição. Outra é uma chapa que teve sua inscrição indeferida e que precisa utilizar os instrumentos de recurso para tentar modificar essa situação. A Enfermagem tem o direito de saber em qual dessas situações a Chapa 2 se encontra no momento em que pede seu voto.
O episódio também coloca em xeque o discurso de representação defendido por quem pretende chegar ao comando do Conselho. As regras devem valer para todos ou existem regras diferentes para quem pretende ocupar a estrutura de poder da categoria? Essa é uma pergunta que não pode ser tratada como ataque pessoal. É uma questão de coerência, transparência e responsabilidade com os profissionais que serão chamados às urnas.
Não é razoável exigir que o profissional comum esteja rigorosamente em dia com suas obrigações para exercer a profissão e, ao mesmo tempo, tratar como detalhe uma situação de irregularidade apontada dentro de uma chapa que pretende administrar e representar a própria categoria.
Mais do que saber quem está pedindo seu voto, a Enfermagem precisa saber *em que condições essa pessoa está pedindo para ser eleita*. Se a Chapa 2 conseguiu reverter o indeferimento, isso precisa ser apresentado de maneira clara. Se ainda depende de recursos ou de uma decisão judicial para garantir sua participação, essa informação também precisa chegar aos profissionais.
A Enfermagem pernambucana merece respostas. E, antes de qualquer voto, merece saber: *Priscila Ferraz e a Chapa 2 estão definitivamente habilitadas para disputar o Coren-PE ou ainda estão tentando garantir esse direito depois das irregularidades apontadas pela Comissão Eleitoral?*



