
A reta final da eleição para o Senado em Pernambuco coloca Eduardo da Fonte em uma disputa apertada pelas duas vagas. A pesquisa DataTrends realizada entre 28 e 30 de setembro registra, considerando cada eleitor sobre uma base de 100%, Marília Arraes com 19%, Humberto Costa com 16%, Eduardo da Fonte com 11% e Mendonça Filho também com 11%. Como o eleitor pernambucano pode escolher dois candidatos ao Senado, a indefinição do segundo voto mantém espaço para movimentações nos últimos dias de campanha.
Os recortes regionais ajudam a mostrar onde Eduardo apresenta seus melhores desempenhos. Na soma do primeiro e do segundo voto, calculada pelo levantamento em base de 200%, ele alcança 29,2% na Mata Pernambucana e 23,2% no Agreste, ante 21,6% na Região Metropolitana do Recife. Em algumas regiões imediatas, os números são ainda mais elevados: Eduardo registra 40% em Goiana-Timbaúba, 38,4% em Palmares e 31,1% em Limoeiro. Como são recortes de amostras menores, os números devem ser interpretados com cautela.
É nesse contexto que ganha relevância política a tentativa de associação, na reta final, entre o voto em Eduardo da Fonte e o voto na governadora Raquel Lyra. Os dados mostram que ambos encontram desempenhos expressivos em partes da Mata e do Agreste, embora a pesquisa não meça diretamente quantos eleitores de Raquel também pretendem votar em Eduardo. Portanto, não é possível afirmar, apenas com esses números, que exista transferência automática de votos.
Caruaru ilustra essa possibilidade de sobreposição territorial. Na Região Imediata, Raquel aparece com 61,3% dos votos válidos para o governo, enquanto Eduardo soma 19,8% considerando os dois votos para o Senado. Em Garanhuns, Eduardo chega a 26,9% na soma dos votos senatoriais.
Outro dado relevante é a composição do eleitorado de Eduardo. Na soma dos dois votos, ele alcança 28,6% entre os homens, praticamente no mesmo patamar de Mendonça Filho, com 28,5%. Entre as mulheres, Eduardo registra 15,5%, enquanto Mendonça tem 16,5%.
A eventual combinação de votos entre Raquel e Eduardo, portanto, surge como uma estratégia política de reta final, e não como um comportamento já comprovado pela pesquisa. Com duas escolhas disponíveis para o Senado e uma disputa apertada entre os candidatos que buscam as vagas, a capacidade das campanhas de consolidar o segundo voto ganha importância especial nos últimos dias antes da eleição.



