Coluna desta segunda-feira

Fotos: Severino Soares/JC Imagem – Yacy Ribeiro

Raquel joga com o regulamento; João busca a virada na reta final

A disputa pelo Governo de Pernambuco entra nos seus seis últimos dias de campanha com duas estratégias bastante claras. De um lado, a governadora Raquel Lyra tenta preservar a posição que construiu até aqui e administrar a vantagem apontada pelas pesquisas. Do outro, João Campos precisa transformar a mobilização política da reta final em crescimento eleitoral suficiente para mudar o cenário ou, ao menos, levar a eleição para o segundo turno.

A pesquisa DataTrends divulgada no sábado reforçou essa fotografia. Raquel aparece com 46% das intenções de voto, contra 41% de João Campos. Ivan Moraes registra 1%, enquanto os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somam 6%, e outros 6% não sabem ou não responderam. Considerando apenas os votos válidos a partir dos percentuais divulgados, Raquel alcança cerca de 52,3%, João fica com aproximadamente 46,6% e Ivan, pouco acima de 1%.

É justamente essa fronteira dos 50% dos votos válidos que passa a orientar a reta final. Pela fotografia do DataTrends, Raquel estaria acima do patamar necessário para liquidar a disputa no primeiro turno. João, por sua vez, precisa reduzir essa diferença: seja crescendo sobre a adversária, seja retirando votos suficientes da governadora para que ela fique abaixo da maioria absoluta dos votos válidos.

Os dois principais candidatos deram demonstrações de mobilização no Centro do Recife em dias consecutivos. Na sexta-feira, João Campos recebeu o presidente Lula para um ato no Recife Antigo. O petista participou da mobilização ao lado do candidato do PSB, reforçando publicamente a aliança entre os dois na reta final da campanha.

No sábado, foi a vez de Raquel ocupar as ruas da área central da capital em sua própria agenda de campanha. Diferentemente do adversário, que contou com a presença do presidente da República na véspera, a governadora realizou sua mobilização sem um padrinho presidencial ao lado, numa estratégia centrada na própria candidatura.

Os dois eventos simbolizam bem o momento da eleição. João aposta na força eleitoral de Lula em Pernambuco e na capacidade de sua presença de ampliar a mobilização de sua campanha nos últimos dias. Raquel procura sustentar a vantagem registrada no levantamento e evitar qualquer movimento que reduza sua votação abaixo da linha necessária para a definição no primeiro turno.

Com mais de 52% dos votos válidos na fotografia do DataTrends, Raquel trabalha, na linguagem do futebol, com o regulamento debaixo do braço nestes seis dias que faltam. Isso não significa que o resultado esteja definido: pesquisas são retratos do momento, estão sujeitas à margem de erro e não substituem as urnas. Mas as necessidades das duas campanhas neste momento são diferentes.

Para a governadora, o objetivo é conservar o eleitorado que já manifesta intenção de votar nela e evitar perdas capazes de derrubá-la abaixo da linha dos 50% dos válidos. Para João Campos, a necessidade é ampliar sua votação de forma significativa, seja para produzir uma virada no primeiro turno, seja para retirar de Raquel a maioria absoluta e levar a disputa para uma segunda rodada.

Depois de dois grandes movimentos no coração do Recife, a eleição entra agora na fase em que cada ponto percentual pode fazer diferença. O DataTrends mostra João avançando de 38% para 41%, enquanto Raquel permaneceu em 46% nas duas últimas rodadas. A questão que fica para os seis dias decisivos é se essa aproximação continuará até a urna ou se a governadora conseguirá preservar a maioria dos votos válidos registrada no levantamento.

Maratona de pesquisas — A reta final da eleição em Pernambuco será marcada por uma verdadeira maratona de levantamentos. Entre 23 de setembro e os últimos dias da campanha, 20 pesquisas foram registradas na Justiça Eleitoral, com vários institutos realizando mais de uma rodada no período. A concentração de pesquisas a poucos dias da votação aumenta a expectativa sobre os números que serão divulgados até a véspera da eleição e sobre os movimentos finais da disputa pelo Governo do Estado.

Sem precedente na última semana — No histórico recente das eleições para governador de Pernambuco, não encontramos precedente documentado de o candidato que liderava o primeiro turno faltando sete dias para a votação ser ultrapassado nas urnas. Nem mesmo em 2006 houve esse movimento: a uma semana da eleição, Mendonça Filho já ocupava a primeira colocação e Eduardo Campos já aparecia em segundo, posições que ambos mantiveram no primeiro turno; a mudança entre os dois ocorreria apenas na segunda rodada.

Viradas no Senado — A história das eleições para o Senado em Pernambuco registra mudanças importantes na reta final. Em 2002, Sérgio Guerra conquistou a segunda vaga, terminando com 26,93% dos votos válidos, atrás apenas de Marco Maciel e superando Carlos Wilson; em 2014, a reviravolta foi ainda mais evidente, com Fernando Bezerra Coelho aparecendo atrás de João Paulo nas pesquisas a poucos dias da votação e terminando as urnas com ampla vantagem. Os episódios mostram que, diferentemente da disputa pelo Governo do Estado, a corrida pelas vagas do Senado já apresentou alterações relevantes nos últimos dias de campanha.

Em comum – Essas viradas tiveram uma situação em comum. Ambas se deram na chapa vitoriosa para o governo de Pernambuco. É na vitória de Raquel Lyra que Eduardo da Fonte aposta para desbancar pelo menos um dos líderes, Humberto Costa e Marília Arraes.

Inocente quer saber – Eduardo da Fonte tem chance de se eleger senador no próximo domingo?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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