
A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) revela um componente importante para compreender a reta final da eleição em Pernambuco. Mais do que os números da corrida pelo Governo do Estado, chama atenção a avaliação da gestão de Raquel Lyra (PSD), que mantém índices elevados de aprovação a poucos dias da votação.
De acordo com o levantamento, 65% dos pernambucanos aprovam o trabalho realizado pela governadora, enquanto 31% desaprovam. Outros 4% não souberam ou não responderam. O dado chama atenção principalmente pela estabilidade: na pesquisa anterior, divulgada em 11 de setembro, os percentuais eram exatamente os mesmos.
Quando o Datafolha pergunta especificamente como o eleitor avalia a gestão, o cenário também é favorável à governadora. O percentual daqueles que classificam o governo como ótimo ou bom passou de 48% para 50%. A avaliação regular permaneceu em 30%, enquanto ruim ou péssimo oscilou de 20% para 19%. As variações estão dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
A diferença entre aprovação e avaliação positiva merece atenção. Enquanto 50% atribuem conceito ótimo ou bom ao governo, 65% dizem aprovar o trabalho de Raquel. Isso indica que existe uma parcela do eleitorado que considera a administração apenas regular, mas, ainda assim, aprova o desempenho da governadora.
Também é significativo observar que a avaliação negativa está restrita a menos de um quinto dos entrevistados. Para cada eleitor que considera a gestão ruim ou péssima, há mais de dois que a classificam como ótima ou boa.
Os números administrativos ganham ainda mais importância quando confrontados com a disputa eleitoral. No primeiro turno, o Datafolha aponta Raquel com 48% das intenções de voto e João Campos (PSB) com 44%, configurando empate técnico pela margem de erro. Em eventual segundo turno, Raquel registra 51%, contra 45% do adversário.
Há, portanto, um contingente relevante de eleitores que aprova o governo, mas não declara voto na governadora. São 17 pontos de diferença entre seus 65% de aprovação e os 48% registrados na intenção de voto de primeiro turno. Evidentemente, as perguntas medem dimensões diferentes e não se pode concluir que esses 17 pontos formem um bloco homogêneo ou disponível para migração. Ainda assim, o contraste ajuda a compreender a dinâmica da eleição.
Outro elemento importante é a estabilidade registrada depois de semanas politicamente intensas. Mesmo após a repercussão da declaração sobre laqueadura, os principais indicadores administrativos permaneceram praticamente inalterados entre as duas rodadas do Datafolha. A pesquisa, portanto, não identifica até aqui uma deterioração mensurável da avaliação da gestão no conjunto do eleitorado.
O retrato apresentado pelo instituto é de uma eleição bastante competitiva coexistindo com uma governadora que chega à reta final com avaliação administrativa elevada. Raquel tem metade do eleitorado classificando sua gestão positivamente, quase dois terços aprovando seu trabalho e menos de 20% avaliando o governo negativamente.
A questão que os últimos dias da campanha ajudarão a responder é até que ponto essa aprovação administrativa será convertida em voto. É justamente nessa distância entre os 65% que aprovam o governo e os 48% que hoje declaram voto em Raquel que está uma das chaves para interpretar a reta final da eleição pernambucana.



