
O candidato à Presidência Renan Santos defendeu que o Brasil desenvolva capacidade para produzir armas nucleares no futuro e classificou a discussão sobre a bomba atômica e a capacidade de dissuasão do país como “fundamental” diante das mudanças na ordem internacional.
Durante sabatina à Jovem Pan, Renan argumentou que a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial está se enfraquecendo e que o Brasil precisa ampliar sua soberania econômica, tecnológica e militar para reduzir a dependência de outras potências. “A discussão sobre armas nucleares no Brasil, e se você quiser falar de maneira um pouco mais ampla, de capacidade de dissuasão, é uma decisão fundamental para o século XXI”, afirmou.
Segundo o candidato, o mundo caminha para uma nova Guerra Fria entre Estados Unidos e China, enquanto Washington volta a projetar seu poder sobre a América Latina. Renan afirmou que o Brasil não pode permanecer em uma situação de fragilidade diante das grandes potências nas próximas décadas.
“Nós temos que passar por um ganho de soberania, ganhos que vão na área econômica, infraestrutura, tecnologia e capacidade militar”, declarou. Apesar da defesa de uma capacidade nuclear militar, Renan afirmou que a construção de uma bomba atômica não seria uma medida imediata de um eventual governo. “Não é que eu no meu primeiro ano de mandato vou sair construindo bomba atômica. Isso não dá. Nós não temos poder hoje pra nada”, disse.
Questionado sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual o Brasil é signatário, Renan admitiu que o país poderia futuramente deixar o acordo ou descumpri-lo. “Não de imediato, mas nós sairíamos ou desrespeitaríamos e o mundo iria aceitar, porque esse mundo aceita a força. O mundo, só para o pessoal entender, só respeita a força”, afirmou.
O candidato argumentou que tratados internacionais são violados por países que possuem poder suficiente para sustentar suas decisões. “Os tratados internacionais são violados recorrentemente. A Rússia violou quando atacou a Ucrânia, há ataques recorrentes entre nações vizinhas. E se você é uma nação poderosa, você não liga para o Tratado Internacional, você tampouco é sancionado”, declarou.
Mudança na Constituição
Renan também reconheceu que o desenvolvimento de armas nucleares exigiria uma mudança constitucional, já que a Constituição brasileira determina que a atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos. “Nós temos que alterar nossa Constituição, sim”, afirmou.
O candidato, no entanto, voltou a ressaltar que considera o projeto de longo prazo. “Esse tema é um tema que não vai ser tratado no primeiro mandato meu, nem de qualquer presidente queira fazer isso. A gente está falando de um horizonte para além de oito anos”, disse. Renan defendeu ainda uma reforma mais ampla da Carta Magna. Para ele, mais do que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) específica sobre a questão nuclear, o país deveria discutir uma nova Constituição ou uma reforma profunda do texto atual.
“Essa Constituição é um impeditivo a qualquer tipo de crescimento econômico brasileiro ou ganhos na área de soberania. É uma Constituição fragilizadora”, concluiu. Com informações da Jovem Pan.



