Coluna deste sábado

Foto: Divulgação

A força do grupo mantém Renan Filho no jogo em Alagoas

A nova pesquisa DataTrends sobre a sucessão estadual em Alagoas revela uma eleição extremamente competitiva, mas traz elementos que vão além do empate de 43% entre Renan Filho e JHC no primeiro turno. O dado talvez mais importante para compreender o cenário esteja fora da pergunta direta sobre intenção de voto: a aprovação de 65% do governo Paulo Dantas. O governador chega à reta decisiva do processo eleitoral com praticamente dois em cada três alagoanos aprovando sua administração, oferecendo a Renan Filho uma plataforma política relevante para enfrentar um adversário eleitoralmente forte. Mais do que disputar a eleição sustentado apenas pelo próprio recall, Renan conta com a possibilidade de transformar a avaliação positiva da atual gestão em voto de continuidade. O desafio está justamente em fazer essa transferência acontecer nas próximas semanas.

Renan Filho, porém, possui uma vantagem estrutural que não aparece integralmente nos percentuais da pesquisa. Seu grupo político construiu ao longo dos últimos anos uma ampla capilaridade no interior de Alagoas, reunindo prefeitos, vereadores, deputados e lideranças municipais. A distribuição regional do DataTrends ajuda a compreender esse ativo: enquanto JHC apresenta melhor desempenho em Maceió, Renan demonstra força em importantes regiões do interior, liderando em áreas como Arapiraca, Penedo, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema e Atalaia. É justamente quando a campanha entra na fase de maior mobilização que essa estrutura territorial tende a ganhar importância. Eleição estadual não se decide exclusivamente na capital. A capacidade de transformar lideranças locais em cabos eleitorais, organizar agendas e mobilizar bases pode fazer diferença numa disputa separada por poucos pontos.

Há ainda outro componente relevante: Renan Filho não depende apenas da força do Palácio República dos Palmares. Ex-governador por dois mandatos e personagem conhecido do eleitorado alagoano, ele carrega seu próprio patrimônio eleitoral e integra um dos grupos políticos mais organizados do estado. A pesquisa para o Senado reforça essa percepção de competitividade do campo político governista, ao mostrar Renan Calheiros com 40%, empatado numericamente com Arthur Lira na liderança da disputa pelas duas cadeiras. No segundo turno para governador, Renan Filho aparece numericamente à frente de JHC, por 46% a 44%, embora a diferença esteja dentro da margem de erro. Portanto, não existe favorito absoluto: existe uma eleição aberta na qual organização política, alianças e capacidade de mobilização poderão ser tão importantes quanto a fotografia atual das pesquisas.

A grande questão daqui até as urnas será saber qual dos dois candidatos conseguirá ampliar seu território eleitoral. JHC precisa transformar sua força na capital e seu potencial de voto em crescimento consistente pelo interior. Renan Filho, por sua vez, precisa aproveitar exatamente o caminho inverso: preservar sua vantagem nas regiões interioranas, reduzir a diferença em Maceió e vincular sua candidatura aos 65% de aprovação de Paulo Dantas. Se conseguir transformar a popularidade do governo, sua própria lembrança administrativa e a extensa rede política do grupo em voto, Renan poderá chegar à reta final em posição privilegiada. Em uma eleição tão equilibrada, estrutura sozinha não ganha eleição — mas quando ela se encontra com um governo aprovado e um candidato eleitoralmente competitivo, passa a representar um ativo poderoso. É exatamente essa combinação que mantém o grupo de Renan Filho fortemente vivo na disputa pelo comando de Alagoas.

Senado – A disputa pelo Senado de Alagoas também promete fortes emoções, Arthur Lira e Renan Calheiros lideram com 40% cada, Marina JHC surge com 32%, Davi Davino tem 21%  e Dr. Wanderley 11%. Os números são favoráveis aos veteranos Arthur Lira e Renan Calheiros.

Sem garantias – A Frente Popular não possui nenhuma garantia da vinda do presidente Lula a Pernambuco. Houve uma tentativa para que ele viesse no dia 11, mas optou por ir ao Rio Grande do Sul. Agora, o pensamento é que ele possa chegar a Pernambuco até o dia 30. Até lá a eleição já estará encaminhada.

ImpeachmentO presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a colegas que, caso se torne insustentável a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, poderá também autorizar um pedido contra André Mendonça. Segundo informações do g1, a possibilidade de um “impeachment cruzado” contribuiu para reduzir a temperatura no Senado e ganhou força após Moraes pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação de Mendonça.

DataLyra 2026 – A projeção mais esperada para a Assembleia Legislativa de Pernambuco e para a Câmara dos Deputados já tem data para ser divulgada. O DataLyra 2026 trará os possíveis eleitos para deputado estadual e deputado federal no próximo dia 24.

Inocente quer saber – Renan Filho e JHC realizam a eleição mais disputada do Brasil?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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