Coluna desta segunda-feira

Foto: Reprodução Instagram

O limite que a política não pode ultrapassar

A disputa pelo Governo de Pernambuco atravessou uma fronteira perigosa com a circulação de panfletos apócrifos acusando a governadora Raquel Lyra de ter matado o próprio marido, Fernando Lucena, falecido em 2022, vítima de um infarto. Não estamos diante de uma crítica administrativa, de um questionamento sobre decisões de governo ou do confronto legítimo entre projetos eleitorais. Trata-se de uma acusação gravíssima, anônima e que utiliza uma tragédia familiar como instrumento de ataque político. O episódio precisa ser encarado também sob a perspectiva da violência política de gênero, pois busca atingir uma mulher que exerce o poder por meio de sua vida íntima, de sua condição de viúva e de uma das experiências mais dolorosas que alguém pode enfrentar. Raquel pode e deve ser confrontada politicamente, mas nenhuma divergência autoriza transformar a morte de Fernando Lucena em instrumento de campanha.

Diante da gravidade do caso, é fundamental que haja uma investigação rigorosa para identificar quem produziu, financiou e distribuiu o material. O caráter apócrifo torna a apuração ainda mais necessária, porque quem faz uma acusação dessa dimensão e esconde sua identidade demonstra justamente a intenção de produzir dano sem assumir responsabilidade pelo que afirma. Cabe às autoridades buscar todos os elementos disponíveis para reconstruir a origem e a cadeia de distribuição dos panfletos. Se houver participação de pessoas ligadas a alguma campanha ou grupo político, isso deverá ser demonstrado e os responsáveis terão de responder pelos seus atos. Se a iniciativa não possuir qualquer ligação com as estruturas eleitorais, isso também precisa ser esclarecido. O que não pode acontecer é um episódio dessa gravidade terminar sem resposta, permitindo que práticas semelhantes se multipliquem durante a campanha.

A necessidade de apuração, entretanto, exige igualmente responsabilidade para evitar julgamentos precipitados. João Campos, candidato a governador pelo PSB e ex-prefeito do Recife, é o principal adversário de Raquel Lyra, mas essa condição não permite atribuir a ele ou à sua campanha responsabilidade pelos panfletos sem qualquer prova. João repudiou imediatamente o episódio, adotando a postura que se espera de alguém que disputa o principal cargo do Estado. Até que existam elementos concretos apontando autoria ou participação, qualquer tentativa de associá-lo ao material seria irresponsável. É perfeitamente possível condenar com veemência a violência sofrida pela governadora e, simultaneamente, preservar a presunção de inocência daqueles contra os quais não existe evidência. A polarização eleitoral não pode transformar adversários automaticamente em suspeitos.

Pernambuco precisa tirar desse lamentável episódio um compromisso mínimo para os próximos dias de campanha. Raquel Lyra e João Campos devem disputar a eleição no terreno da política, comparando governos, resultados, propostas, alianças e projetos para o futuro do Estado. A governadora precisa responder por seus atos administrativos e o candidato do PSB pelos compromissos que apresenta aos pernambucanos. Esse confronto pode ser duro e certamente será intenso. O que não pode ocorrer é a substituição do debate por ataques clandestinos que exploram uma tragédia familiar. Acusar uma mulher de responsabilidade pela morte do próprio marido, sabidamente vítima de um infarto, é uma agressão que ultrapassa a política e alcança sua dignidade pessoal. Agora, cabe às autoridades identificar os responsáveis. Sem prejulgamentos, sem exploração eleitoral e sem acusações sem provas. Porque tão importante quanto repudiar a violência política de gênero é impedir que a busca pelos culpados produza novas injustiças.

Feminicídio – O prefeito de Granito, George de Sidney (PT), foi acusado pela sua esposa Raila Miranda, de tentativa de feminicídio. O episódio ganhou as redes sociais ontem com a divulgação de um vídeo da vítima agredida pelo gestor petista. A expectativa no município é de que ele possa renunciar ao cargo de prefeito ou sofra uma cassação.

DataTrends no PiauíRafael Fonteles lidera com folga a disputa pelo Governo do Piauí, segundo a pesquisa DataTrends realizada entre 25 e 27 de agosto. O governador aparece com 57% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Joel Rodrigues. Dra. Lúcia Santos e Geraldo Carvalho têm 2% cada, enquanto Lourdes Melo e Professor Gisvaldo somam 1% cada. Brancos e nulos são 9% e 5% não souberam ou não responderam.

Segundo turno e aprovaçãoAlém da vantagem no primeiro turno, Fonteles também vence com ampla margem em uma eventual disputa direta contra Joel Rodrigues: 60% a 29%. A gestão do governador é aprovada por 73% dos entrevistados, enquanto 25% desaprovam. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores, tem margem de erro de 2,83 pontos percentuais e está registrada sob os números PI-05852/2026 e BR-03396/2026.

Viralizou – Até ontem à noite, o vídeo da governadora Raquel Lyra sobre o episódio, tinha atingido a marca de quase 4 milhões de visualizações. Logo que foi ao ar, políticos do Brasil inteiro se solidarizaram à governadora.

Inocente quer saber – De quem foi a infeliz ideia de produzir os panfletos apócrifos contra Raquel Lyra?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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