
O crescimento do escritor Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência, nas redes sociais nos últimos dias acendeu um alerta nos adversários. O fenômeno, considerado incomum, passou a ser monitorado por outras campanhas.
Sob reserva, integrantes dos times de outros presidenciáveis admitem que, se forem verificadas irregularidades, podem levar o caso para discussão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Após o debate realizado pela Band, no domingo (23), Augusto Cury registrou aumento de seguidores, menções nas redes e buscas por seu nome no Google. Além disso, vídeos sobre o candidato se multiplicaram, principalmente no Instagram.
Com apenas 35 segundos na propaganda de TV e rádio que começa nesta sexta-feira (28), Cury quer se apresentar como um “agente da despolitização” e usar o espaço para atrair o eleitor para as redes sociais.
No último Datafolha, o candidato do Avante somava 2% das intenções de voto, atrás de Lula (39%), Flávio Bolsonaro (33%), Ronaldo Caiado (5%), Renan Santos (4%) e Romeu Zema (3%).
No Instagram, o perfil o escritor ganhou 2,24 milhões de seguidores nos últimos cinco dias. No dia do debate da Band, domingo, ele tinha 8,3 milhões de seguidores. Dois dias depois, na terça-feira, somava 8,5 milhões.
O salto que chama a atenção dos analistas digitais ocorre a partir de quarta-feira (26), quando Cury ganhou quase 690 mil seguidores.
Na quinta-feira (27), somaram-se à rede do candidato do Avante 1,2 milhão de perfis. E apenas na primeira hora desta sexta-feira, foram mais 146 mil seguidores, de acordo com a plataforma Social Blade, consultada pela reportagem.
No ranking mundial de perfis que mais ganharam seguidores no Instagram entre domingo e quarta-feira, Cury apareceu na segunda colocação, atrás apenas do perfil da cantora americana Dolly Parton, que morreu na terça-feira (25).
Em terceiro lugar aparece Lito Sousa, influenciador e especialista em aviação que ganhou forte repercussão nas redes após revelar o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob, condição neurodegenerativa rara e de rápida progressão.
Integrantes das equipes de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) acompanham a curva de crescimento e descrevem o movimento como “incomum” e “estranho”.
Um dos pontos questionados é o fato de vídeos sobre Cury passarem a ser feitos por influenciadores sem relação com política. Alguns não exibem, por exemplo, a foto de Augusto Cury, apenas o número dele na urna. Estrategistas políticos observam que o número é uma das informações mais difíceis de fazer o eleitor assimilar.
Outro fator que desperta a atenção é que os virais não partem, por exemplo, de cortes de falas do candidato do Avante, como um trecho de sua participação no debate da Band. São vídeos de pessoas endossando diretamente a candidatura.
As demais campanhas têm monitorado também os horários de adição de novos seguidores, inclusive durante a madrugada, e o aumento de buscas pelo nome de Augusto Cury fora do Brasil. Houve, por exemplo, um pico de buscas pelo candidato na Índia, segundo o Google Trends, a partir de quarta-feira.
O marqueteiro Sérgio Lima, responsável pela campanha de Augusto Cury, nega ter inflado artificialmente o número de seguidores ou pago por engajamento. Ele afirma que havia uma estratégia de crescimento voltada para a própria base do escritor, que é um best-seller e já somava 8 milhões de seguidores.
“O crescimento é público. Pode acionar a Meta que ela expõe os dados. Mais de 96% dos nossos seguidores estão no Brasil”, disse Lima à CNN.
Entre segunda (24) e esta quinta-feira, o perfil no Instagram, segundo o marqueteiro, somou 854 mil comentários. “Não tem robô. Pode fazer uma auditoria nos comentários”, desafiou.
De acordo com Sérgio Lima, o segredo foi ativar a base que já conhecia Cury, que tem mais de 48 milhões de livros vendidos. “As pessoas ficaram sabendo que agora ele é candidato. Cresceu de maneira sobrenatural e só vai aumentar”, disse. O marqueteiro afirmou ainda ter gastado cerca de R$ 20 mil em impulsionamento nas plataformas da Meta. Com informações da CNN.



