
A sina de Marília Arraes
Vereadora eleita do Recife pela primeira vez em 2008, Marília Arraes construiu uma trajetória política marcada por ascensão, protagonismo e, sobretudo, por sucessivas tentativas de chegar ao Executivo. Depois de conquistar um segundo mandato pela legenda em 2012 e migrar para o PT, onde foi reeleita em 2016 com mais de 12 mil votos, sua carreira passou a apontar naturalmente para voos maiores. Em 2018, ensaiou sua primeira candidatura majoritária, mas acabou rifada pelo próprio PT na disputa pelo Governo de Pernambuco, tendo de se contentar com uma candidatura a deputada federal. A eleição lhe garantiu um mandato em Brasília, mas também deixou evidente que havia, dentro dela, uma ambição política maior do que o espaço que naquele momento lhe era reservado.
A grande oportunidade veio em 2020, quando finalmente disputou uma eleição majoritária para valer, concorrendo à Prefeitura do Recife. Desde o início da campanha, Marília esteve entre as primeiras colocadas e chegou ao segundo turno contra João Campos. Em determinado momento, abriu dez pontos de vantagem sobre o primo e parecia caminhar para uma vitória histórica. O que aconteceu nas duas semanas seguintes, porém, entrou para a história política do Recife: João Campos promoveu uma virada expressiva e venceu a eleição por uma diferença próxima de dez pontos. Foi uma derrota dolorosa, sobretudo porque Marília chegou a experimentar a sensação concreta de que a prefeitura estava ao alcance das mãos. Ainda assim, sua votação mostrou que ela havia se consolidado como uma das principais lideranças políticas de Pernambuco.
Em 2022, a história parecia se repetir, desta vez em escala estadual. Até a véspera do primeiro turno, Marília era apontada como favorita para conquistar o Palácio do Campo das Princesas. Pesquisa do Ipec chegou a registrar quase 40% dos votos válidos para a candidata. Nas urnas, contudo, o desempenho ficou em 23%, e a disputa terminou levando Raquel Lyra ao segundo turno e, posteriormente, à vitória. Mais uma vez, Marília começou uma eleição majoritária como favorita, liderou pesquisas e terminou derrotada. A sequência passou a produzir uma característica peculiar em sua trajetória: ela consegue chegar muito forte às disputas, mobiliza um eleitorado expressivo, mas encontra dificuldades para transformar vantagem política e eleitoral em vitória definitiva. É uma sina que já se repetiu em momentos decisivos de sua carreira.
Agora, em 2026, Marília tenta novamente uma eleição majoritária, desta vez para o Senado, depois de cogitar romper com a Frente Popular e acabar escolhida pelo PDT para a disputa. Novamente, aparece liderando pesquisas, mas já percebe pelo retrovisor adversários como Humberto Costa, Mendonça Filho e Eduardo da Fonte. Se no início do ano sua eleição parecia praticamente assegurada, o cenário hoje é bem menos confortável, especialmente depois da perda de apoios importantes, como o de Álvaro Porto. Uma nova derrota, desta vez sem conseguir figurar entre os dois eleitos, terá um peso político diferente das anteriores. Marília ainda possui capital eleitoral, história e nome de família, mas uma terceira derrota majoritária consecutiva poderia abrir uma discussão inevitável sobre o futuro de sua carreira. Aos 42 anos, ela ainda teria tempo para reconstruir sua trajetória, mas poderia estar diante do momento mais delicado de sua vida política. A sina, desta vez, poderá definir não apenas uma eleição, mas o próximo capítulo de sua carreira.
Romaria – A sede da União Progressista virou uma verdadeira romaria de prefeitos e lideranças políticas que declaram apoio ao candidato ao Senado, Eduardo da Fonte. Ele deverá fechar com os prefeitos de Jaboatão, Cabo e Ipojuca, formando um cinturão metropolitano que alavancará sua candidatura à Câmara Alta.
Dobradinha dos prefeitos – É impressionante como a maioria dos prefeitos pernambucanos têm escolhido Humberto Costa e Eduardo da Fonte para o Senado. É o caso da prefeita de Carpina, Eduarda Gouveia, que votará nos dois para a Câmara Alta.
Puxador – Poucos dias após oficializar sua candidatura à Câmara dos Deputados, Miguel Coelho já é visto como o puxador de votos da União Progressista. Miguel deverá sair de Petrolina com quase 100 mil votos, podendo atingir 200 mil em todo o estado.
Inocente quer saber – Marília Arraes terá melhor sorte na disputa de 2026?



