
O desafio do segundo voto para o Senado
A disputa pelo Senado ganhou um desfecho significativo com a oficialização de cinco candidaturas competitivas. Disputarão com chances Humberto Costa e Marília Arraes pela Frente Popular, Túlio Gadelha e Eduardo da Fonte pela chapa de Raquel Lyra e Mendonça Filho de forma avulsa pelo PL. Essa fragmentação traz riscos inerentes a uma eleição de duas vagas, e como há três nomes de esquerda, um de direita e um de centro, o grande diferencial será sobre quem dialoga melhor com todos os segmentos.
As duas últimas eleições mostraram isso. Em 2010, Armando Monteiro era o segundo colocado em todas as pesquisas, mas com a abertura das urnas, acabou sendo o mais votado do pleito, uma vez que terminou sendo o segundo voto do eleitor de Humberto Costa e do eleitor de Marco Maciel.
Em 2018, a história se repetiu, Jarbas Vasconcelos teve origem na esquerda, fez um governo considerado de direita, mas sua trajetória lhe respaldou a dialogar com todos os espectros ideológicos. Então com a abertura das urnas, ele acabou sendo o segundo voto de Humberto Costa e também de Mendonça Filho e sagrou-se vitorioso.
Então, numa disputa fragmentada em cinco nomes, o grande diferencial não será sobre quem é mais lulista ou mais bolsonarista, e sim sobre quem terá condições de repetir Armando e Jarbas e ser o segundo voto dos principais nomes. Apesar de ser possível, é pouco provável que Mendonça seja o segundo voto do eleitor de Humberto e vice-versa. Assim como Marília Arraes e Túlio Gadelha também terão dificuldades de receber o segundo voto bolsonarista.
Então, o candidato a repetir Jarbas e Armando é Eduardo da Fonte, que dialoga com o eleitor de direita, especialmente do segmento evangélico, mas que também pode receber o voto do eleitor de esquerda, uma vez que tem uma capilaridade de prefeitos que o apoiarão em diversas regiões do estado. Então, ainda que tenhamos nomes competitivos dos dois espectros ideológicos, Eduardo pode ser beneficiado por navegar nos dois mares e pescar nos dois aquários.
Convenção animada – A convenção do PL que oficializou Mendonça Filho candidato ao Senado foi bastante prestigiada e animada no sentido da confiança de que a direita poderá voltar a eleger senador em Pernambuco após 24 anos. Mendonça demonstrou ser o fiel depositário do eleitor bolsonarista em Pernambuco.
Senador de coragem – O slogan de Mendonça Filho poderá ser “senador de coragem”, uma vez que ele sempre manteve a coerência política ao longo da sua trajetória de nunca ter votado no PT e porque tem disposição para fazer o enfrentamento necessário, vide o episódio em que ele colocou o dedo em riste e desafiou Renan Calheiros, tornando-se manchete nacional.
Polarização – Ainda sobre Mendonça, sua candidatura pelo PL deverá fortalecer a polarização com Humberto Costa, do PT. Mendonça vai partir pra cima de Humberto com críticas ao petista que deverá lhe render votos e engajamento na direita bolsonarista.
Desprendimento – Diferentemente de 2018, quando tentou ser senador e lançou dois familiares na disputa proporcional, Mendonça Filho distribuiu suas bases de federal com alguns apoiadores. Esse movimento mostra que Mendonça priorizou a eleição do Senado distribuindo votos e garantindo o engajamento de aliados na disputa.
Inocente quer saber – Mendonça Filho tomou a melhor decisão ao tentar o Senado pelo PL?



