Pesquisadora alerta sobre a vulnerabilidade social das mulheres com câncer de mama

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Pesquisadora alerta sobre a vulnerabilidade social das mulheres com câncer de mama.

Entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer. Sem considerar os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos ao ano. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que elabora uma estimativa sobre o avanço da doença no país, a cada três anos. Essas projeções, para registro de casos, mostram que o câncer está cada vez mais consolidado como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se da incidência de doenças cardiovasculares. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Entre as mulheres, predomina o câncer de mama, que chega a um percentual de 30%.

Os dados apresentados pelo INCA mostram também diferenças regionais importantes, relacionadas a fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais e ao acesso desigual aos serviços de saúde. Segundo a pesquisadora e médica oncologista, Cristiana Tavares, “O câncer de mama é uma neoplasia maligna que se origina, principalmente, no tecido glandular mamário e apresenta ampla diversidade morfológica e molecular, sendo o carcinoma ductal o tipo histológico mais frequente. A doença impacta de forma decisiva a vida das mulheres, inclusive, a financeira ”.

No seu trabalho de mestrado pela Universidade de Pernambuco (UPE), Tavares constatou que além dos desafios do diagnóstico, a paciente, que, muitas vezes, mantém o sustento da casa e a vida em família, terá que enfrentar o desemprego ou a instabilidade financeira, por ter que desistir do trabalho ou porque a empresa acaba não demonstrando interesse em manter uma paciente com câncer de mama no quadro funcional. “Fato é que, a doença, diante da legislação brasileira, não pode ser usada como justificativa para demissão ou atestado de incapacidade paraexercer função no trabalho. A paciente terá que se adaptar ao diagnóstico e a empresa deverá amparar essa mulher, assegurando condições de trabalho dignas”, argumenta a médica. “Na minha pesquisa, o dado que me chamou atenção foi que cerca de 50% das mulheres em faixa etária da população economicamente ativa estavam fora do mercado de trabalho”, afirma.

Na rotina de consulta clínica, com mulheres em tratamento, a médica comprovou esses dados, fazendo a escuta dos relatos de vida de cada paciente. A situação chegou até o gabinete do legislativo recifense. A médica levou os dados de sua pesquisa de mestrado à Câmara. E o sofrimento das pacientes, que saem do interior, para fazer tratamento, na capital, ganhou a atenção de um legislador. O vereador Alcides Teixeira (Avante), atento à situação, resolveu propor um projeto de lei, que tramita na Câmara de Vereadores do Recife, com o objetivo de amparar essa mulher com câncer de mama, garantindo seu espaço no mercado de trabalho, mesmo após o diagnóstico. O vereador deve propor uma audiência pública, prevista para setembro, convidando a sociedade a pensar sobre o problema.

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“A empregabilidade afeta a vida de quem sustenta a casa. Essa mulher com câncer de mama precisa de segurança financeira, de orientação, apoio. A ideia é promover a conscientização das empresas em relação aos direitos da paciente em tratamento”, explicou o vereador.

Entre 2014 e 2023, ocorreram 11.628 óbitos por câncer em mulheres residentes no Recife, e, o de mama, representou, aproximadamente, 19,1%, ou seja, 2.226 casos registrados. A doença está em primeiro lugar em todos os anos da série histórica, seguido das neoplasias malignas de brônquios e pulmão (10,9%) e do pâncreas (6,0%). A faixa etária dos óbitos variou entre 60 anos ou mais, seguido de 50 a 59 anos. Em relação à raça/cor, as mulheres com autodeclaração negra representaram a maior proporção de óbitos (52,3%), sendo 46,6% pardas e 7,5% negras, seguido das autodeclaradas brancas (44,8%).

Fatores de risco – Podem ser considerados aspectos endócrinos e reprodutivos, relacionados ao estilo de vida, a exposições ambientais e a fatores hereditários e genéticos. Também a idade acima de 50 anos é o principal fator de risco, refletindoo acúmulo de exposições hormonais e alterações biológicas do envelhecimento. O risco também aumenta com maior exposição estrogênica ao longo da vida, incluindo menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, uso de contraceptivos orais combinados e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa. Além disso, destacam-se o excesso de gordura corporal, a inatividade física, o consumo de álcool, a exposição à radiação ionizante e o trabalho noturno.

Para marcação de entrevistas:

Assessora de imprensa

Brena Vila Nova
(81) 9 – 9165-0945

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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