
Raquel toma decisão salomônica sobre o Senado
A governadora Raquel Lyra adotou uma decisão salomônica para administrar um dos principais impasses da montagem de sua chapa majoritária para a disputa da reeleição em 2026. A indefinição sobre a indicação da União Progressista para a vaga ao Senado, que vinha colocando em campos distintos o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, ganhou um novo capítulo após a reunião realizada ontem entre a chefe do Executivo estadual e dirigentes do PP. Em vez de arbitrar um vencedor dentro da federação ou assumir o desgaste de excluir um dos grupos, Raquel optou por uma saída política que preserva a unidade da base aliada e transfere à própria União Progressista a responsabilidade pela definição de sua estratégia eleitoral. Na prática, a governadora oficializaria apenas o deputado federal Túlio Gadelha como candidato ao Senado em sua chapa, deixando que a federação decida internamente se apresentará um ou dois nomes para a disputa das vagas restantes.
A alternativa construída por Raquel não representa uma inovação no desenho das alianças eleitorais. A legislação permite que uma federação esteja coligada na eleição majoritária para governador e, ao mesmo tempo, tenha autonomia para definir seus candidatos ao Senado. O próprio Partido Novo adotará essa estratégia em Pernambuco ao integrar formalmente a aliança da governadora e lançar Carlos Sant’Anna como candidato ao Senado. Com isso, Raquel evita transformar uma discussão interna da União Progressista em um problema de sua campanha, preservando o equilíbrio entre os aliados e impedindo que a composição da chapa se torne um fator de desgaste às vésperas das convenções partidárias. A solução também mantém abertas as portas para qualquer decisão que venha a ser tomada pela federação, sem comprometer a estabilidade da aliança governista.
Ao retirar de si a responsabilidade pela escolha entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, a governadora recoloca o debate no ambiente onde ele efetivamente pertence. Caberá agora às principais lideranças nacionais e estaduais da União Progressista — entre elas Eduardo da Fonte, Miguel Coelho, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda — construir o consenso sobre o formato da participação da federação na disputa pelo Senado. Nos bastidores, a avaliação é de que Eduardo da Fonte recebeu positivamente a proposta apresentada por Raquel, restando apenas o pedido da governadora para que a convenção da federação seja antecipada para o próximo dia 2, permitindo que todo o calendário da chapa governista seja definido de maneira coordenada e sem sobressaltos.
Politicamente, a estratégia fortalece Raquel Lyra porque reduz os riscos de desgaste e preserva sua posição como elemento de convergência da ampla frente que sustenta sua candidatura à reeleição. Independentemente de a União Progressista optar por uma ou duas candidaturas ao Senado, a decisão será assumida pela própria federação, retirando da governadora qualquer ônus decorrente de eventuais insatisfações internas. Ao mesmo tempo, ela assegura a presença de um nome oficial de sua confiança na chapa, mantendo a coerência da aliança e respeitando a autonomia dos partidos aliados. Em um momento em que a capacidade de administrar interesses distintos será determinante para o sucesso das composições eleitorais, a saída encontrada por Raquel se mostra uma solução de equilíbrio, capaz de acomodar diferentes projetos políticos sem comprometer a unidade do bloco governista e evitando que um impasse interno contamine o ambiente da campanha.
Opções – O pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho, tem lidado com a instabilidade inerente ao processo de escolha do Senado. Ao permanecer no União Brasil, que passou a integrar a União Progressista, Miguel deixou de ter maior liberdade partidária. Ao menos três legendas surgiram pra ele: Podemos, PSDB e Solidariedade. Qualquer um dos três ele teria autonomia e liberdade para decidir sobre seu rumo eleitoral.
Daniel Coelho – Após quatro anos fora da Câmara dos Deputados pelo fato de o PSDB não ter atingido o quociente eleitoral, Daniel Coelho lançou ontem sua pré-candidatura a deputado federal pelo PSD em ato prestigiado no Centro de Convenções. O partido da governadora Raquel Lyra se prepara para eleger entre três e quatro deputados federais.
Augusto Coutinho – Coordenador da bancada federal, Augusto Coutinho tentará o quinto mandato na Câmara dos Deputados pelo Republicanos. Coutinho já foi vereador e deputado estadual e transita muito bem na política pela forma correta e clara que tem sobre seus posicionamentos políticos.
Andrea Medeiros – A pré-candidata a deputada estadual Andrea Medeiros é uma das principais novidades do PSD na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Alavancada pela força do prefeito Mano Medeiros, ela deverá sair com uma expressiva votação de Jaboatão dos Guararapes.
Inocente quer saber – A União Progressista lançará um ou dois candidatos ao Senado Federal?



