
A dona da bola do Senado
Em política, o tempo costuma ser tão valioso quanto os votos. E, se em 2025 era o então prefeito do Recife, João Campos, quem administrava uma fila de interessados nas duas vagas ao Senado de sua chapa, agora é a governadora Raquel Lyra quem se beneficia da mesma dinâmica. No ano passado, nomes como Marília Arraes, Miguel Coelho e Silvio Costa Filho circulavam ao redor do projeto da Frente Popular, atraídos pelo favoritismo de João nas pesquisas eleitorais. Com índices próximos dos 40 pontos de vantagem nas intenções de voto para o Governo de Pernambuco, o socialista era visto como o polo natural de atração para quem desejava disputar uma das cadeiras senatoriais. O cenário, contudo, mudou ao longo dos meses, alterando também a posição dos principais atores do tabuleiro.
A virada começou a ganhar forma quando Silvio Costa Filho e Marília Arraes abriram negociações com Raquel Lyra. Miguel Coelho, por sua vez, já havia feito sua opção política logo após o Carnaval, migrando integralmente para o campo governista. Diante desse rearranjo, João Campos decidiu encerrar as especulações e definiu sua composição majoritária ainda em março. O ex-prefeito fechou acordo com Marília Arraes e Humberto Costa para as duas vagas ao Senado, além de confirmar Carlos Costa como pré-candidato a vice-governador. A movimentação trouxe previsibilidade ao palanque oposicionista e encerrou uma disputa interna que se arrastava desde o ano anterior. Ao mesmo tempo, transferiu para o campo governista a principal indefinição da eleição de 2026.
Raquel Lyra, inicialmente, havia reservado as duas vagas ao Senado para a federação União Progressista, contemplando os projetos de Eduardo da Fonte e Miguel Coelho. A estratégia, porém, não prosperou como o esperado. Com a recusa ou falta de consenso em torno da composição, a governadora optou por lançar Túlio Gadelha, recém-filiado ao PSD, como um dos nomes ao Senado em sua chapa. A decisão deixou apenas uma vaga em aberto, transformando a disputa entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte no principal foco das articulações governistas. Nos bastidores, o senador Fernando Dueire permanece como alternativa viável caso a federação não consiga construir um entendimento interno que acomode os interesses dos dois postulantes.
O fato é que Raquel Lyra não demonstra qualquer pressa para encerrar esse capítulo. Ao contrário. A governadora parece confortável em administrar o calendário e permitir que as negociações avancem até os limites do prazo legal das convenções partidárias, cujo encerramento está previsto para 5 de agosto. A estratégia faz sentido político. Quanto mais o tempo passa, mais a chefe do Executivo consolida sua posição como centro gravitacional das articulações da base governista. Se a curva de crescimento observada nas pesquisas eleitorais continuar, Raquel chegará ao período das convenções com maior capacidade de impor sua vontade e definir a composição que considerar mais conveniente para o projeto de reeleição. Em um cenário onde a oposição já resolveu suas principais pendências, é a governadora quem agora joga com a vantagem de ter o relógio ao seu lado.
Discussão – A proposta que prevê o fim da escala 6×1 deve começar a avançar no Senado nesta semana. O tema será discutido em reunião entre líderes partidários e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), marcada para terça-feira (9). Embora o texto já tenha sido aprovado pela Câmara dos Deputados e esteja no Senado há mais de dez dias, a tendência é que a matéria seja analisada inicialmente por uma comissão antes de seguir para votação em plenário, conforme indicou Alcolumbre.
Promessa – O pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), esteve na última sexta-feira (5) no município da Pedra, no Agreste Meridional, onde assumiu o compromisso de concluir a pavimentação da PE-244 caso seja eleito governador em 2026. Ao lado do prefeito Júnior Vaz (PV), do senador Humberto Costa (PT) e do pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), João destacou a importância da rodovia para melhorar a mobilidade da população e fortalecer o escoamento da produção rural da região, defendendo ainda a ampliação de políticas de apoio aos pequenos produtores pernambucanos.
Sucessor – O prefeito de Tamandaré, Carrapicho, ao que parece já tem o nome para a sua sucessão em 2028. O nome do ex-vereador de Condado, Samuel Andrade, que é um dos maiores articuladores do Republicanos, está sendo cotado para a sucessão de Carrapicho. Pelo menos experiência política e partidária, Samuel já tem.
Inocente quer saber – Quem foi o responsável pela saída de dois prefeitos do PSB e do projeto da Frente Popular?



