
A expressão de “O Príncipe” em Pernambuco
Poucos livros atravessaram os séculos com tanta força quanto O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Publicada no século XVI, a obra permanece atual por sua capacidade de explicar os mecanismos do poder, da liderança e da construção de projetos políticos duradouros. Entre os personagens que inspiraram o pensador florentino, nenhum se destaca mais do que César Bórgia, governante que soube combinar ousadia, inteligência estratégica e capacidade de adaptação às circunstâncias. Maquiavel enxergou nele a expressão prática de muitos dos conceitos que defendia, especialmente a habilidade de compreender o momento histórico e agir de forma decisiva. Ao longo do tempo, os ensinamentos do livro transcenderam fronteiras e gerações, servindo como referência para líderes que entenderam que a política é feita tanto de planejamento quanto de conhecimento profundo da natureza humana.
Em Pernambuco, poucos personagens contemporâneos exerceram influência tão marcante quanto o ex-governador Eduardo Campos. Doze anos após sua morte e vinte anos depois de sua eleição para o Governo do Estado, sua presença continua perceptível no cenário político local. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Mozart Sales, que conviveu com Eduardo e acompanhou parte de sua trajetória, costuma destacar que a principal característica do ex-governador era a capacidade de formar quadros e preparar lideranças. Não por acaso, grande parte dos protagonistas da política pernambucana atual passou, em algum momento, por sua influência direta ou indireta. Nomes como João Campos, Raquel Lyra, Paulo Câmara e Geraldo Julio, embora sigam caminhos distintos, carregam marcas de uma escola política construída ao longo dos anos por Eduardo.
Mas a herança deixada pelo ex-governador vai além da formação de lideranças. Eduardo Campos compreendia algo que nem sempre é ensinado nos livros de administração pública ou nas estratégias eleitorais: a política é feita de pessoas. Sua habilidade de dialogar com diferentes setores da sociedade, ouvir aliados e adversários e interpretar o sentimento popular permitiu que construísse uma trajetória singular. Como acontece com muitos líderes de destaque, enfrentou momentos de isolamento e adversidade. Viveu períodos de ostracismo político, viu projetos serem contestados e precisou reconstruir espaços de influência. Em vez de sucumbir às dificuldades, utilizou cada desafio como oportunidade para fortalecer sua posição, consolidando uma imagem de liderança resiliente e preparada para enfrentar cenários complexos.
Talvez seja justamente nesse aspecto que os ensinamentos de Maquiavel encontrem maior paralelo na experiência pernambucana. A permanência de uma liderança não se mede apenas pelos cargos que ocupa, mas pela capacidade de moldar o ambiente político mesmo após sua ausência. Eduardo Campos transformou-se em uma referência que continua influenciando decisões, alianças e projetos mais de uma década depois de sua partida. Seu legado demonstra que o verdadeiro poder não está apenas na conquista de posições, mas na formação de uma geração capaz de dar continuidade a uma visão de futuro. Em Pernambuco, a expressão contemporânea de muitos dos conceitos descritos em O Príncipe pode ser observada justamente na longevidade de uma influência política que segue presente e determinante para os rumos do Estado.
Fundo eleitoral – A divulgação da divisão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026 confirmou o peso das maiores legendas no cenário político nacional. Com cerca de R$ 4,9 bilhões disponíveis, o PL ficou com a maior parcela dos recursos, somando R$ 881,6 milhões, seguido pelo PT, com R$ 615,3 milhões, e pelo União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Os valores são distribuídos com base na representação dos partidos no Congresso Nacional e no desempenho eleitoral anterior, e poderão ser utilizados em despesas como produção de material de campanha, impulsionamento digital, contratação de equipes, transporte e comunicação.
Lisboa – O deputado federal Fernando Monteiro reforçou sua atuação no debate sobre mudanças climáticas e gestão de riscos durante agenda em Lisboa, Portugal. Representando o Congresso Nacional na 14ª edição do Fórum de Lisboa, o parlamentar defendeu investimentos em infraestrutura, proteção das cidades e preparação das comunidades para eventos extremos. Já no 1º Fórum Brasil-Portugal de Seguros, apresentou propostas em tramitação na Câmara dos Deputados voltadas à mitigação de riscos climáticos, entre elas o PL 4.279/2024, que estabelece mecanismos de prevenção em obras financiadas por emendas parlamentares, além da criação do Seguro Social de Catástrofe.
Projeto – O deputado federal Eduardo da Fonte apresentou o Projeto de Lei 4.951/2023, que prevê a instalação obrigatória de Salas Sensoriais em órgãos públicos, concessionárias de serviços públicos e instituições financeiras. A proposta busca garantir mais acolhimento e acessibilidade para pessoas neurodivergentes, como autistas e indivíduos com TDAH, durante atendimentos e períodos de espera. Segundo o parlamentar, a iniciativa amplia a inclusão ao assegurar ambientes adaptados e suporte especializado para pessoas com deficiência e suas famílias.
Inocente quer saber – Qual foi o maior aprendizado que João Campos e Raquel Lyra conseguiram extrair da convivência com Eduardo Campos?



