
Quando convidei Ingrid Zanella, em outubro de 2025, para escrever o prefácio do livro O Poder das Mulheres Empreendedoras, a ideia inicial era realizar o lançamento ainda naquele ano. A proposta da obra era simples: mostrar que empreendedorismo feminino não é apenas uma pauta econômica; é uma pauta de desenvolvimento humano, transformação social e geração de oportunidades.
Entretanto, durante a conclusão daquele projeto, outra inquietação crescia paralelamente. Ao mergulhar em estudos, pesquisas e experiências ligadas à educação inclusiva, percebi uma realidade que, embora presente diariamente nas escolas brasileiras, continua invisível para boa parte da sociedade. Dessa reflexão nasceu Crianças Invisíveis — quando a inclusão bate à porta da prefeitura.
Foi nesse momento que compreendi algo curioso: os dois livros, embora tratem de universos aparentemente distintos, conversam profundamente entre si. Ambos falam sobre pessoas que, muitas vezes, precisam lutar para ocupar espaços que já deveriam ser naturalmente seus.
O Poder das Mulheres Empreendedoras reúne pesquisas e dados que demonstram a força do empreendedorismo feminino. O livro destaca, por exemplo, que mulheres já lideram mais de 10 milhões de empresas no Brasil, representando 34,4% dos negócios formais do país. A obra também apresenta estudos que demonstram que ampliar a presença feminina no mercado não é apenas uma questão de igualdade; é também uma estratégia de fortalecimento econômico e social.
Uma das mensagens centrais do livro talvez possa ser resumida na frase:
“Não se esqueça: o Brasil precisa do seu negócio, precisa da sua visão.”
Já Crianças Invisíveis percorre outro caminho. O livro parte do cotidiano das escolas municipais e das famílias que convivem diariamente com desafios ligados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
A obra destaca que o Censo Demográfico de 2022 identificou 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados com TEA. Também apresenta estudo baseado em dados da Conitec que estima aproximadamente 15,4 milhões de brasileiros convivendo com TDAH, permitindo afirmar a existência de aproximadamente 17,8 milhões de pessoas vivendo com TEA ou TDAH.
Mas o livro não trata apenas de números.
Ele parte de uma constatação presente em suas páginas: muitas vezes a escola é o primeiro lugar onde alguém percebe que algo não está bem. É a professora quem observa; é a família quem sofre; é o município quem recebe a cobrança; e é justamente ali, no cotidiano das escolas, que a inclusão deixa de ser discurso e passa a ser realidade — ou ausência dela.
Outra frase que sintetiza a essência da obra talvez seja:
“Incluir é, essencialmente, fortalecer o município.”
Convidado pela presidente da OAB Pernambuco, Ingrid Zanella, decidimos realizar o lançamento conjunto das duas obras no próximo dia 2 de junho, às 18h, no Salão Foyer da OAB Pernambuco, localizado na Rua do Imperador Dom Pedro II, nº 346, bairro de Santo Antônio, Recife/PE.
Estão convidados advogados, membros do Ministério Público, magistrados, juízes, professores, educadores, gestores públicos, dirigentes escolares, universidades, empreendedores e toda a sociedade.
Será um momento para discutir empreendedorismo, inclusão, educação e desenvolvimento humano. Mais do que lançar livros, será uma oportunidade de reunir pessoas para refletir sobre temas que impactam diretamente o presente e o futuro do país.
Inácio Feitosa
Advogado, escritor, fundador do Instituto IGEDUC e presidente do Instituto IDR.



