Coluna desta quarta-feira

Foto: Divulgação

Raquel Lyra aposta no destravamento do orçamento 

Mesmo com uma semana legislativa encurtada pelo feriado, o Palácio do Campo das Princesas mantém a pressão sobre a Assembleia Legislativa de Pernambuco para destravar um dos temas mais sensíveis da gestão estadual: a flexibilização do orçamento. A governadora Raquel Lyra aposta na votação do ajuste da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, elevando para 20% o limite de remanejamento de recursos, como peça-chave para garantir governabilidade. O argumento é técnico, mas o ambiente é político. Ao afirmar que Pernambuco é o único estado com orçamento “incompleto”, a gestora amplia o tom de urgência e transfere ao Legislativo parte do ônus pela paralisia administrativa.

O impasse, no entanto, está longe de ser apenas procedimental. A inclusão do ajuste por meio de emenda no projeto de remanejamento para o Tribunal de Justiça expôs fissuras internas, especialmente na Comissão de Finanças. Deputados de oposição reagiram à falta de comunicação prévia e formalizaram questionamentos, elevando o nível de desconfiança. O episódio revela que, mesmo com maioria numérica no plenário, o governo ainda enfrenta dificuldades na articulação fina dentro das comissões — espaços onde o controle da pauta pode redefinir o jogo. A disputa não é apenas sobre percentuais, mas sobre quem dita o ritmo e o conteúdo das votações.

O histórico recente ajuda a entender a tensão. A aprovação da LOA no fim de 2025 com a limitação de 10% por unidade orçamentária, seguida do veto governamental e da manutenção desse veto pelos deputados, criou um cenário atípico: o remanejamento foi, na prática, zerado. Desde então, o governo tenta recompor sua margem de manobra, sem sucesso pleno. A estratégia agora é clara: levar a decisão ao plenário, onde a base governista tende a prevalecer. O apelo indireto ao presidente da Casa, Álvaro Porto, para pautar a matéria explicita que o controle da agenda legislativa se tornou o verdadeiro campo de batalha.

Paralelamente, Raquel Lyra procura blindar sua gestão do calendário eleitoral. Ao reforçar que este é “o primeiro ano dos próximos”, a governadora sinaliza intenção de continuidade política, ao mesmo tempo em que tenta evitar a contaminação das decisões administrativas pela disputa nas urnas. Na área de segurança pública, o discurso é de consolidação: a queda nos indicadores de violência é apresentada como ativo político e justificativa para a manutenção — ou ampliação — dos investimentos. No fim das contas, o embate em torno do orçamento é mais do que técnico: é um teste de força que antecipa o clima de 2026 e mede, na prática, a capacidade do governo de transformar maioria potencial em poder efetivo.

ExpectativaO prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), afirmou que o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), deve vencer com “bastante tranquilidade” a disputa pelo Governo de Pernambuco no município, destacando um ambiente favorável ao socialista em todo o Agreste Meridional. Em entrevista ao Blog do Roberto Almeida, Sivaldo também ressaltou o ritmo de obras e entregas em Garanhuns, projetou votações expressivas para seus aliados Felipe Carreras e Cayo Albino, além de citar avanços na saúde, como a inauguração do Hospital do Amor, reforçando o discurso de fortalecimento do grupo político na região.

Reciprocidade – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil pode reagir com “reciprocidade” após a expulsão do delegado da Polícia Federal do Brasil Marcelo Ivo pelos Estados Unidos, caso seja confirmado abuso por parte das autoridades americanas. O episódio ocorre em meio à repercussão da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe, e expõe um novo foco de tensão diplomática entre os dois países.

InsatisfaçãoO artigo do ministro Flávio Dino em defesa de uma reforma do Judiciário gerou incômodo interno no Supremo Tribunal Federal e abriu nova frente de divergência entre magistrados. Embora tenha sido elogiado pelo presidente da Corte, Edson Fachin, o texto recebeu críticas reservadas de ministros que apontam falhas no diagnóstico e cobram enfrentamento de temas mais sensíveis, evidenciando diferenças sobre os rumos e o grau de protagonismo do Judiciário.

Inocente quer saber – A Alepe vai confirmar a expectativa da governadora e aprovará o remanejamento o do orçamento?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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