Coluna deste sábado

Foto: Divulgação

O papel do PL na disputa entre Raquel Lyra e João Campos

O desenho da eleição de 2026 em Pernambuco pode ser lido a partir de um critério objetivo: o peso das coligações projetadas com base nas bancadas da Câmara dos Deputados eleitas em 2022. Nesse recorte, a aliança associada a João Campos reúne cerca de 37,8% da Câmara (194 de 513 deputados), enquanto o campo político de Raquel Lyra soma aproximadamente 33,7% (173 deputados). Esses percentuais funcionam como indicador direto de tempo de televisão, fundo eleitoral e capilaridade partidária. Na largada, portanto, o prefeito do Recife aparece com uma vantagem estrutural, ainda que não decisiva.

É nesse contexto que o PL assume papel central. Com 99 deputados federais (19,3%), a legenda tem densidade suficiente para alterar o equilíbrio da disputa. Caso opte por candidatura própria ao governo, o partido se consolida como um terceiro polo relevante, com tempo de televisão expressivo e capacidade de dialogar com um eleitorado que não se identifica com uma eventual chapa integralmente alinhada ao lulismo. A depender da competitividade do nome escolhido, o PL pode cumprir um papel estratégico: fazer contraponto ao palanque da Frente Popular e contribuir para empurrar a eleição ao segundo turno entre João Campos e Raquel Lyra, ao fragmentar o campo adversário.

Por outro lado, se o PL decidir integrar a coligação da governadora, o impacto é imediato, mas de natureza distinta. Considerando a regra dos cinco maiores partidos da aliança, a entrada da legenda elevaria o bloco de Raquel Lyra para cerca de 50,5% da Câmara (259 deputados), contra os 37,8% de João Campos. Isso não a transforma automaticamente em favorita, mas cria condições objetivas de maior competitividade, sobretudo pelo ganho de tempo de televisão e estrutura política. Há, contudo, um efeito colateral inevitável: a narrativa adversária tende a explorar a associação entre a governadora e o bolsonarismo, utilizando a presença do PL como elemento de desgaste junto a setores do eleitorado mais alinhados à esquerda.

Nesse cenário, a decisão recai sobre Anderson Ferreira, presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado. As possibilidades são variadas: lançar candidatura própria ao governo, disputar o Senado de forma avulsa, compor a chapa de Raquel Lyra ou apoiá-la sem integrar a majoritária. Cada movimento reposiciona o partido e altera o rumo da eleição. Se optar por protagonismo, o PL pode influenciar decisivamente o primeiro turno e o desenho da segunda etapa; se escolher a aliança, passa a ser peça-chave na construção de uma candidatura mais competitiva da governadora, ainda que sob o custo de um embate narrativo mais intenso. Em qualquer hipótese, os números deixam claro que o partido será determinante no processo eleitoral pernambucano.

Nova conversa – A governadora Raquel Lyra e o deputado federal Eduardo da Fonte terão nova conversa. Com o desfecho da chapa da Frente Popular, Raquel e Eduardo estão fadados ao entendimento. A conversa tende a ser decisiva e poderá sacramentar a União Progressista no palanque de reeleição da governadora.

Juntos – O presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, participou do primeiro evento ao lado da governadora Raquel Lyra após o anúncio de apoio. Ele esteve no ato de filiação do pré-candidato a deputado estadual Anderson Luiz ao PSD em Caruaru.

Curinga – O senador Fernando Dueire além de parceiro da governadora Raquel Lyra, tornou-se uma espécie de Curinga. Seu mandato em Brasília tem contribuído de forma significativa com os municípios pernambucanos, criando uma interlocução forte com os prefeitos. Sem desgaste, Dueire pode compor a majoritária como vice ou senador, e não trará nenhum prejuízo ideológico à governadora.

Narrativas – O anúncio da pré-candidatura de João Campos ao governo de Pernambuco teve um forte resgate da imagem de Eduardo Campos. João tentará relembrar a boa memória que o eleitor pernambucano tem do seu pai. Os adversários dele já foram às redes sociais para tentar vincular sua imagem a de Geraldo Júlio e Paulo Câmara. Claramente teremos uma guerra de narrativas em Pernambuco.

Creches – O discurso da pré-candidata ao Senado, Marília Arraes, foi diretamente nas creches. Uma das vitrines da campanha e da gestão da governadora, a quantidade de creches entregues será motivo de cabo de guerra entre ela e seus adversários durante a eleição.

Inocente quer saber – Qual será o destino do PL em Pernambuco?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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