Coluna desta quinta-feira

Foto: Divulgação

O bônus e o ônus 

Reeleito para o terceiro mandato com 46 mil votos, Álvaro Porto plantou a semente do momento que está vivendo ainda em 2020, quando disputou a presidência da Alepe contra Eriberto Medeiros e obteve 14 votos. Naquela ocasião, o parlamentar mostrou ser bom de articulação e mesmo perdendo a disputa saiu com um sentimento de liderança dentro da Casa de Joaquim Nabuco.

As eleições de 2022 trouxeram Raquel Lyra para o governo de Pernambuco. O fato de ser do partido da governadora e ser um deputado remanescente contribuiu para que um grupo representativo de parlamentares o lançassem para disputar a presidência. Com a abertura das urnas, uma estrondosa vitória, obtendo a unanimidade dos votos juntamente com Gustavo Gouveia, que foi eleito primeiro-secretário.

A priori, havia uma eleição de TCE apenas, cujas articulações eram bastante efetivas por parte dos que sonhavam com a vaga, mas o deadline era para julho, data da aposentadoria compulsória de Teresa Duere. Veio então uma ideia fora da caixa, que era a aposentadoria de Carlos Porto e entrada de Eduardo Lyra Porto para o TCE, fato que demandaria muita capacidade de diálogo e articulação para a ideia ser bancada pela Alepe.

As urnas trouxeram nada menos que 47 dos 49 votos possíveis, o que reforçou ainda mais a liderança de Álvaro Porto. Mas tanto a presidência quanto a primeira eleição do TCE, nenhuma houve embate, o teste de fogo seria a segunda vaga pelo TCE, quando estaria frente a frente o poderio do Palácio de Joaquim Nabuco e o do Palácio do Campo das Princesas.

As urnas deram a Álvaro Porto nova vitória, 30 votos a favor de Rodrigo Novaes, fazendo com que o presidente cumprisse sua promessa ao aliado que ajudou a gestar seu projeto ainda no ano passado. O presidente atingiu um prestígio que há muito não se via, valendo-se da máxima de que não existe vácuo de poder. Inteligente, astuto e de bom trânsito, ele teve o ápice do seu protagonismo dentro da Casa de Joaquim Nabuco.

Responsabilidade – Agora como uma liderança forte com o bônus da confiança de seus pares, Álvaro terá a responsabilidade de construir pontes com o executivo, o judiciário e outros poderes constituídos. Ele pode usar seu prestígio não só para garantir o protagonismo do legislativo, mas principalmente para ser um instrumento de transformação de Pernambuco.

De volta – A volta de Diogo Moraes para a Alepe foi uma justa reparação de seus pares aos infortúnios eleitorais. Diogo foi o 14º deputado eleito pelo PSB, mas uma mudança nos votos de Lula Cabral retirou uma vaga do PSB, e por isso ele ficou na primeira suplência.

Gesto – Álvaro deu duas demonstrações de como ganhou o respeito dos pares. Ao saber da perda do mandato de Diogo, Álvaro o nomeou como superintendente parlamentar, e na eleição de Rodrigo Noves, pegou seu broche e deu ao colega fazendo um belo gesto de respeito.

Inocente quer saber – Álvaro Porto tem a reeleição encaminhada na presidência da Alepe?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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